Como pode ser o ‘Plano Marshall’ da pandemia?
Com as consequências econômicas da pandemia do coronavírus trazem em todo o mundo, os especialistas apontam pela necessidade de ações coordenadas. Com isso, surge debates sobre a possibilidade de um “Plano Marshall”, responsável pela reconstrução dos países da Europa ocidental após a segunda guerra mundial, para enfrentamento da crise econômica pela covid-19.
O especialista em direito internacional da FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas), Manuel Furriela, lembra que os EUA providenciaram recursos em dólares para ajudar os países aliados na Europa ocidental. Na época, os americanos que manter os aliados.
“O projeto foi preparado pelo general Marshall. Ele idealizou um grande projeto de financiamento em dólar que hoje equivalente a mais de 100 bilhões de dólares, o que em termos relativos representaria um impacto muito maior do que representa hoje.”
O economista José Mauro explica que a economia dos EUA não foi afetada pela guerra como dos países europeus. Ele diz que um plano para reconstrução da economia mundial é plausível, mas ainda é difícil saber como ele funcionaria.
“A economia americana está sofrendo efeitos relevantes e os Estados Unidos é o país que está mais sofrendo efeitos econômicos e epidemiológicos. Então a viabilização de um cenário nos moldes do Plano Marshall depende de uma situação mais semelhante que é difícil que ocorra.”
Enquanto isso, os governos tentam criar planos de resposta imediata para amenizar os impactos nos próprios países. Nos Estados Unidos, o governo aprovou de mais de dois trilhões de dólares, o que inclui pagamentos diretos aos americanos para que pequenas e grandes empresas continuem pagando salários neste momento.
O Fed (Federal Reserve) tem injetado dinheiro na economia de forma agressiva. A economista Mônica Debole explica a capacidade dos EUA tomarem essa medida nesse momento.
“O que acaba acontecendo nesses momentos de crise é que os investidores saem de ativos de riscos e buscam ativos em dólar. O custo inclusive da dívida para o tesouro americano cai nessas circunstâncias. Então abre um espaço para que o governo americano tenha a capacidade de emitir dívidas para financiar os gastos necessários.’
A economista também destaca que a crise causada pelo coronavírus não é econômica, o que faz diferença na forma que deve evoluir. “Quem é economista e está pensando nas medidas de políticas públicas tem que ler os artigos científicos, ler o que está saindo sobre a epidemia, e entender claramente os cenários da economia porque eles determinam o cenário econômico.”
*Com informações da repórter Mariana Janjácomo
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