Doenças se espalham entre presos em Roraima e entidades cobram ação do Estado
O surto de uma doença infecciosa no presídio agrícola de Monte Cristo, em Roraima, deixa ao menos 29 presos internados. Essa epidemia foi alertada no ano passado pela Ordem dos Advogados do Brasil de Roraima e pela Defensoria Pública do Estado.
No entanto, o governo local — segundo as instituições — não tomou nenhuma providência. O governador de Roraima é Antonio Denarium, não filiado a nenhum partido atualmente.
Anteriormente, os órgãos informaram que uma epidemia de sarna contaminava quase 100% dos detentos.
Passados nove meses, nesta terça-feira (22), a Secretaria Estadual de Saúde diagnosticou os detentos com piodermite — uma infecção bacteriana resultado de uma sarna não tratada.
Ao menos 29 pesos estão internados no Hospital Geral de Roraima com feridas pelo corpo.
Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Roraima, Hélio Abozaglo, a situação no presídio é muito grave. “A superlotação continua e os presos estão amontoados. Estão com seus direitos, integridade física e moral desrespeitados. Um monte com problema de saúde sério.”
Foi no presídio agrícola de Monte Cristo que, em 2017, 31 presos foram encontrados mortos após uma briga entre as facções PCC e Comando Vermelho.
Segundo o defensor público Stelio Dener, que acompanha o caso, o presídio continua superlotado.
“Há superlotação, sim. Hoje a penitenciária tem capacidade para 480 pessoas. Atualmente tem 2280 presos lá cumprindo pena.
O Ministério Público de Roraima enviou pedido ao Tribunal de Justiça pedindo a interdição de parte do presídio. Após o surto da doença ser divulgada pela imprensa, o caso mobilizou também entidades internacionais
Nesta terça, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos cobrou soluções das autoridades brasileiras.
Procurado, o governo de Roraima afirmou que os presos vêm tendo melhora progressiva no quadro. O executivo estadual também disse que ainda não foi oficialmente notificado pela Justiça sobre o pedido de interdição
*Com informações do repórter Leonardo Martins
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