Macron declara apoio total a premiê ante moção que pode derrubar o governo
O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou, nesta quarta-feira (27), “apoio total” ao primeiro-ministro François Bayrou, que convocou uma moção de confiança que pode provocar a queda do seu governo no mês que vem. Bayrou pedirá a moção a um Parlamento profundamente dividido, enquanto tenta conseguir apoio suficiente para seu plano de corte de gastos. Seu objetivo é obter, primeiramente, apoio ao seu plano de redução orçamentária de quase 44 bilhões de euros (278 bilhões de reais), com o qual pretende começar a reduzir o déficit da França (5,8% do PIB em 2024) e, em um segundo momento, negociar as medidas de ajuste. Os principais partidos de oposição, contudo, anunciaram que não apoiarão o plano.
Após uma reunião de seu gabinete, nesta quarta-feira, Macron expressou “total apoio” à iniciativa de Bayrou, o sexto primeiro-ministro desde que assumiu a Presidência, em 2017. O presidente também fez um apelo para que os partidos políticos franceses “ajam com responsabilidade”, informou seu porta-voz, Sophie Primas. Mais tarde, em entrevista ao canal de TV francês TF1, Bayrou disse que não acha que dissolver novamente a Assembleia Nacional (Câmara baixa do Parlamento) “permitiria ter estabilidade”.
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As próximas eleições na França serão as municipais de março de 2026. Alguns membros do grupo de Macron acreditam que convocar novas eleições legislativas pode ser a única solução. “Ninguém quer isso, mas é inevitável”, disse um integrante da equipe presidencial à AFP sob a condição de anonimato. Macron declarou que quer evitar dissolver o Parlamento novamente, mas também sugeriu que não descarta essa possibilidade.
O governo francês enfrenta um grande descontentamento da esquerda e da direita, com críticos acusando as autoridades de não tomarem medidas decisivas em questões como o aumento do custo de vida, a imigração e a criminalidade. Uma campanha antigovernamental chamada Bloquons Tout (Bloqueemos Tudo), apoiada pela esquerda, tem agido como catalisador para novas críticas e convocou uma greve nacional para 10 de setembro.
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*Com informações da AFP