Recém-demitido, Fernando Diniz se diz ‘cada vez mais convicto’ de filosofia: ‘Estou indo na direção correta’
“Estou cada vez mais convicto e cada vez mais alegre por aquilo que faço, da maneira como faço. Mas é, claro, sempre com margem para melhorar e corrigir”.
Demitido pela segunda vez em um intervalo de um ano, Fernando Diniz abriu o coração em entrevista exclusiva ao comentarista Flavio Prado, do Grupo Jovem Pan. Recém-dispensado pelo Fluminense, clube que deixou na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o controverso treinador de 45 anos, amado por uns e odiados por outros, negou que, para ter mais estabilidade, abrirá mão de seu modelo de jogo para trabalhar de uma maneira que se enquadre mais nos padrões do futebol brasileiro.
“Passa muito pela emoção”, afirmou Diniz, quando questionado sobre as análises feitas a respeito do seu trabalho, marcado pela ofensividade, obsessão à posse de bola e construção das jogadas no chão desde o campo de defesa. “Mas você só consegue avaliar o futebol por aquilo que se constrói durante o jogo e não pelo placar final, porque, senão, você acaba caindo num reducionismo muito grande e não consegue avaliar o trabalho de ninguém”, acrescentou.
Fernando Diniz foi demitido do Fluminense há menos de dez dias, após derrota para o CSA, no Maracanã. Em nove meses de clube, ele acumulou 18 vitórias, 15 empates e 11 derrotas em 44 jogos, com 71 gols marcados e 48 sofridos. O time ocupava a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro – mesma situação vivida pelo Athletico-PR, ex-clube do treinador, no ano passado.
Em 26 jogos na carreira na Série A, Diniz tem números preocupantes: cinco vitórias, seis empates e 15 derrotas – um aproveitamento de 27%. Foram 29 gols marcados – em 11 jogos não balançou as redes – e 37 sofridos – em apenas cinco partidas não foi vazado.
Na visão do treinador, porém, as avaliações a respeito de um trabalho não podem ser pautadas somente pelos resultados. “Eu acredito que, pela insistência dos conteúdos e daquilo que acontece no meio, é que você vai justificar o fim. Se a gente só ficar com o fim, vai acabar patinando. E esse é um dos problemas do futebol brasileiro, porque as vitórias justificam quase todos os erros cometidos, e as derrotas acabam apagando muita coisa boa ou tentativas que são positivas, mas que as pessoas acabam ficando desencorajadas de executar porque eventualmente o resultado não vem. Eu, graças a Deus, não sofro desse mal. Tenho muita consciência daquilo que quero e estou fazendo… E estou indo na direção correta”, finalizou.
A entrevista exclusiva de Fernando Diniz a Flavio Prado vai ao ar, na íntegra, no próximo domingo, no Seleção Jovem Pan. Fique ligado!
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