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Victoria Abel

Diplomatas brasileiros costuram ponte com a Casa Branca a partir de congressistas americanos

Retorno do legislativo americano em setembro deve intensificar diálogo

Victoria Abel

Donald Trump
US President Trump speaks with reporters outside Oval Office EFE/EPA/WILL OLIVER

Os diplomatas brasileiros que operam em Washington tentam costurar um diálogo com pessoas de confiança na Casa Branca, principalmente por meio de congressistas americanos, tanto do partido Democrata, quanto Republicano. O objetivo é levar ao presidente americano Donald Trump a versão do governo Lula sobre os fatos no Brasil, reforçar que o país vive em uma democracia e que não cabe ao Executivo interferir no judiciário.

Depois do secretário de Tesouro americano Scott Bessent cancelar a reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, integrantes do Itamaraty avaliaram que os canais de diálogo oficiais com Washington devem seguir fechados. A saída, desde então, vem sendo construir pontes informais com o salão oval, por meio de conversas de bastidor com deputados, senadores, e empresários que tenham ligação com os assessores mais próximos de Trump.

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A retomada dos trabalhos legislativos americanos em setembro deve intensificar o diálogo, com a movimentação maior de parlamentares entre o Capitólio e a Casa Branca. O Congresso americano possui uma frente parlamentar focada no relacionamento com o Brasil, chamada “Brazil Caucus”. A expectativa é que as conversas com essa frente avancem.

O trabalho, de acordo com técnicos do Itamaraty, é de “formiguinha”, mas pode gerar resultados se os interlocutores entre Brasil e Trump forem de “confiança” e conseguirem ultrapassar os obstáculos dos assessores do presidente americano que sejam aliados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro e ao discurso de defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os assessores mais alinhados à narrativa bolsonarista, que vem articulando contra o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro está Steve Bannon, porta-voz e estrategista da direita americana. Uma dos impressões de diplomatas brasileiros é de que o segundo mandato de Trump está muito mais fechado que o primeiro, que ele se cercou de pessoas com o mesmo pensamento e linha ideológica, toma decisões, por vezes, sozinho, e não se aconselha com diplomatas de carreira americanos.

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