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O Império e seu príncipe: a relação eterna de Arlindo Cruz com a verde e branco da Serrinha

Sambista compôs 12 samba-enredos para a Império Serrano e foi homenageado em vida em 2023, quando foi tema da agremiação e desfilou mesmo com sequealas do AVC

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Arlindo Cruz, acompanhado de sua esposa Bárbara Cruz, ao ser homenageado no desfile da escola de samba Império Serrano, na Marquês de Sapucaí
Morre no Rio, aos 66 anos, o cantor, compositor e multi-instrumentista Arlindo Cruz Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

Arlindo Cruz, morto nesta sexta-feira (8) aos 66 anos, construiu ao longo da vida uma relação de profunda identificação com o Império Serrano, uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro. Nascido em Madureira, na zona norte da cidade, o cantor e compositor cresceu em uma família ligada ao samba e desde cedo se aproximou da verde e branco da Serrinha, transformando-se em um de seus mais importantes baluartes.

A trajetória de Arlindo na escola começou nas disputas de samba-enredo, ainda nos anos 1980, quando já se destacava como integrante do Fundo de Quintal. Sua primeira vitória veio em 1989, ao lado de Beto Sem Braço, Aluízio Machado e Bicalho, com “Jorge Amado, Axé Brasil”, homenagem ao escritor baiano. A partir daí, compôs 11 sambas-enredo para o Império, entre eles clássicos como “E verás que um filho teu não foge à luta” (1996), sobre o sociólogo Betinho, e “O Império do Divino” (2006), vencedor do Estandarte de Ouro.

Mesmo nos anos em que a escola passou por dificuldades e chegou a desfilar no Grupo de Acesso, Arlindo manteve presença constante na quadra, nos ensaios e na Avenida. Sua ligação ia além da música: ele representava a alma imperiana. Em 2023, já afastado dos palcos por sequelas de um AVC sofrido em 2017, Arlindo foi homenageado em vida no enredo “Lugares de Arlindo”. No desfile, atravessou a Marquês de Sapucaí no último carro alegórico, ao lado da família, médicos e amigos, sob forte comoção do público. Apesar de o Império ter encerrado o Carnaval na última colocação e ser rebaixado, a apresentação ficou marcada pela reverência ao sambista.

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Ao longo da carreira, Arlindo Cruz compôs para outras agremiações, como Vila Isabel e Grande Rio, mas foi no Império Serrano que construiu sua história mais duradoura e afetiva. Como destacou a própria escola em nota após sua morte: “Arlindo Cruz é parte da alma do Império Serrano. Seu nome, sua música e sua história jamais serão esquecidos.”

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA