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Política

‘Não vamos recuar enquanto não houver caminhos para pacificação’, diz líder do PL após obstrução da Câmara

Parlamentares de direita ocupam mesas da Câmara e do Senado e prometem travar votações até que suas demandas sejam ouvidas

Uanabia Mariano

Lider da Oposição, Sóstenes Cavalcante Deputado Federal durtante coletiva
COLETIVA OPOSIÇÃO CONTRA PRISÃO BOLSONARO Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Em reação à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parlamentares da oposição anunciaram nesta terça-feira (5) que vão iniciar um movimento de obstrução no Congresso Nacional. A medida, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), tem como objetivo travar as votações em curso tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. “A partir de hoje, estamos em obstrução”, declarou Marinho, líder da oposição no Senado, em pronunciamento.

O movimento foi imediatamente seguido por um protesto físico: deputados e senadores bolsonaristas ocuparam as mesas diretoras das duas casas legislativas por volta das 12h30. Os parlamentares prometem permanecer nos locais até que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reúnam para dialogar sobre o que classificam como uma “crise institucional”.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, reforçou a decisão. “Vamos entrar em obstrução total e não vamos recuar enquanto não houver caminhos para pacificação”, afirmou. O parlamentar ainda colocou uma mordaça na boca como forma simbólica de protesto, em defesa da liberdade de expressão.  Entre as principais pautas defendidas pelo grupo estão o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a aprovação de uma anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se manifestou, afirmando que “já passou da hora de o Brasil virar essa página” e defendendo uma “anistia ampla, geral e irrestrita”. Além da reação à prisão de Bolsonaro, o grupo criticou duramente a imposição do uso de tornozeleira eletrônica ao senador Marcos do Val (Podemos-ES), também determinada por Moraes. “Fomos surpreendidos pela tornozeleira imposta ao senador Marcos do Val. Sou solidário a ele”, disse Marinho.

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Contexto da prisão

O ministro Alexandre de Moraes determinou na segunda-feira (4) a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro sob a justificativa de que o ex-presidente fabricou material pré-gravado para ser divulgado nas redes sociais de filhos e aliados, em descumprimento às medidas cautelares impostas pelo STF. A decisão ainda proíbe Bolsonaro de manter contato com outros investigados, utilizar celulares e se comunicar com diplomatas ou autoridades estrangeiras.

Para Moraes, as ações do ex-presidente configuram “continuação de práticas ilícitas” e têm como objetivo incitar apoiadores, pressionar as instituições e estimular interferência externa nos assuntos internos do país. A defesa de Bolsonaro afirmou ter sido “surpreendida” pela decisão e já anunciou que vai recorrer. Com o início da obstrução e os protestos físicos no Congresso, o impasse institucional se aprofunda, e a oposição sinaliza que pretende manter a pressão até que suas reivindicações ganhem espaço no debate legislativo.

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