Brigas de políticos em redes sociais não são assunto de interesse nacional, avalia professor de filosofia
O Morning Show desta quinta-feira (9) recebeu o professor Eduardo Wolf, doutor em filosofia pela USP, para uma conversa sobre redes sociais e divisões políticas nelas.
Questionado sobre a falta de profundidade nos debates das redes sociais, Wolf afirma que primeiro é preciso olhar para a mudança de cenário do debate público. Segundo ele, o que hoje acontece na internet antes já acontecia em espaços próprios, como nas universidades, sindicatos e instituições com forte presença social, como a Igreja, por exemplo.
“Quando usamos as redes sociais como espaço de discussões, não há mais distinção e hierarquia. Por isso, há coisas postivas e coisas indiscutivelmente negativas. É positivo que grande parcela da população possa se manifestar como se manifesta nas redes sociais a partir de veículos tradicionais, como um podcast ou transformando sua própria página em espaço de opinião”, explicou Wolf.
Entretanto, o professor de filosofia avalia que é a falta de filtro das instituições responsáveis pelo Estado que ajudam a disseminar questões irrelevantes das redes sociais para o mundo offline.
“Se há agressividade nas redes sociais, isso depende se incomoda ou não, pois no fim isso é versão mais ampla de quem mandava cartas reclamando para a redação. (…) Mas isso começa a ficar problemático justamente quando as instituições que deveriam fazer o filtro não fazem, quando políticos, partidos, Congresso, presidente da República e imprensa olham para a gritaria do Facebook e trata isso como ‘isso é notícia porque é a realidade”, afirmou.
“A briga de fulano com beltrano na rede é a versão cabeça pra notícia de fofoca, não é relevante, não é importante e alimenta ainda mais a agressividade. Essas instituições que estão chancelando aqueles assuntos como se fossem uma pauta nacional, mas não são”.
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