‘Reagi a farpas que recebi, mas está tudo superado’, diz Maia sobre conflitos com Planalto
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declarou na tarde desta sexta-feira (5) que os ânimos entre ele e o governo de Jair Bolsonaro estão apaziguados e que as “farpas” começaram a ser lançadas pelo Planalto. A fala foi feita ao Jornal da Jovem Pan em um evento com empresários na cidade de Campos do Jordão, interior paulista.
“Reagi a farpas que recebi, mas está tudo superado”, amenizou o deputado. “Os desentendimentos entre o governo e o legislativo precisam sair da agenda da política e da imprensa. Entendimento comigo sempre teve, sobretudo com relação ao Paulo Guedes. Vamos trabalhar para continuar”.
Maia e o presidente protagonizaram, nas últimas semanas, um conflito que teve como centro a aprovação da reforma da Previdência. O deputado chegou a pedir que o presidente deixasse “o Twitter de lado” e trabalhasse mais para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Para sinalizar disposição ao diálogo, na tarde de quinta (4), Bolsonaro recebeu líderes do chamado Centrão, grupo de partidos que inclui DEM, PSDB, MDB, PP, PSD e PRB. No encontro, o presidente pediu desculpas por se referir ao legislativo como “velha política” e prometeu criar um conselho para ouvir sugestões dos deputados nas principais pautas da agenda do governo, sobretudo com relação à Previdência.
A PEC que altera o sistema de aposentadoria será, segundo Maia, “responsável por acabar com o divórcio entre a sociedade e o governo”. O presidente da Câmara criticou o atual modelo previdenciário e disse que o regime de capitalização pode ser uma solução para o rombo nas contas públicas.
O modelo, que é usado em países como o Chile, consiste em criar uma espécie de “poupança” para a qual o beneficiário contribui e da qual receberá a aposentadoria no futuro. No atual sistema, de repartição, quem está trabalhando é que sustenta os pagamentos de quem se aposenta. A reforma proposta pelo ministro Paulo Guedes prevê que trabalhadores já possam começar a optar pelo regime individual, mas sem obrigatoriedade.
“Não importa em quanto tempo aconteça, mas nós temos que deixar escrito na Constituição Federal que seja possível implantar a capitalização”, defendeu Maia. “É importante ter essa janela de oportunidade para que o sistema se transforme e nós não precisemos fazer uma nova reforma a cada ciclo eleitoral”.
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