Após boatos sobre cortes, provedor diz que Santa Casa terá terceirizações
A Santa Casa de Misericórdia, um dos principais hospitais da capital paulista, iniciou negociações para terceirizar o trabalho dos médicos que atendem nos departamentos da unidade. Usando novos dispositivos da Reforma Trabalhista, a ideia, segundo a administração da Santa Casa, é manter os níveis de atendimento, reduzindo custos com a folha salarial.
A informação foi confirmada à reportagem nesta quinta-feira, 14, pelo provedor da Santa Casa, Antônio Penteado Mendonça, após um dia em que circularam pelos corredores do centro médico supostas notícias sobre um plano de demissões, que atingiria até cem funcionários, especialmente no pronto-socorro e nas Unidades de Terapia Intensivas (UTIs). Os boatos vieram a partir de uma reunião, que estaria marcada para ocorrer nesta sexta-feira, 15, envolvendo profissionais dessa área. O provedor negou plano de demissões em massa.
“O que está havendo é uma negociação, com o sindicato (dos médicos), que será homologada pela Justiça”, disse Mendonça. Segundo ele, a ideia é que o regime de trabalho da entidade com os médicos seja de terceirização, o que permitiria à Santa Casa pagar, por exemplo, por procedimentos realizados em vez de fazer desembolsos por hora.
Segundo Mendonça, em outras Santas Casas, a média é de 4,5 funcionários por leito. “Mas, aqui, esse número seria o dobro.” Parte dos profissionais seria realocado em setores que, para o provedor, estariam com pouco pessoal. O objetivo é também usar o dinheiro economizado para melhorar os serviços oferecidos. Nos últimos anos, o hospital tem enfrentado dificuldades financeiras
Boatos
Dentre os médicos ouvidos pela reportagem, que também reclamam da falta de insumos e remédios, um deles chegou a citar um rumor de que uma nova entidade assumiria a gestão dos médicos, terceirizando o serviço, a partir do dia 1.º.
As informações passadas pelo provedor são diferentes: diz que ainda não há definição de datas, uma vez que o diálogo está apenas começando.
O gestor afirma também que ainda não está definido o número de profissionais que migraria para o novo regime trabalhista, uma vez que isso ainda seria negociado com os representantes sindicais. “Para a população, não haverá nenhuma mudança”, afirmou.
Em nota, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) disse que “a filantrópica aventou a possibilidade de demissões de médicos em seu corpo clínico em um futuro próximo” e “a Santa Casa se comprometeu a não realizar demissões, sem antes avançar as discussões sobre o tema”.
Com Agência Estado
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