JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Jornal da Manhã 2ª Edição | 07h00 - 10h00
David de Tarso

Operação contra remédios falsos para câncer mira seis cidades de SP

Justiça determinou três prisões preventivas e bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores

David de Tarso

São Paulo (SP), 12/02/2026 - Viatura da Polícia Civil de São Paulo. Foto: PCSP/Divulgação
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em endereços de Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista Divulgação / PCSP

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil realizaram, na manhã desta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga uma organização suspeita de falsificar e comercializar medicamentos usados no tratamento do câncer. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em conjunto com equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (DEINTER 3).

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em endereços de Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores, além da suspensão das atividades de sete empresas investigadas.

As investigações tiveram início em 2024, após uma fabricante de medicamentos comunicar às autoridades a suspeita de que um lote falsificado de Keytruda, medicamento utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer, estaria sendo comercializado por uma distribuidora do interior paulista e teria sido vendido a um hospital da capital.

Análises laboratoriais e exames periciais confirmaram que o produto era falsificado e não continha o princípio ativo responsável pelo efeito terapêutico.

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2024. A partir das diligências, os investigadores identificaram uma rede de empresas com possíveis vínculos entre si. Parte delas, segundo a apuração, não apresentava estrutura operacional compatível com os endereços informados oficialmente.

Entre janeiro e novembro de 2024, foram identificadas 39 notas fiscais relacionadas à venda do medicamento, que somavam aproximadamente R$ 1,5 milhão. Os documentos apontavam negociações com estabelecimentos de saúde de sete estados.

Outro episódio investigado envolve a comercialização de nove unidades de Opdivo, medicamento também utilizado em tratamentos oncológicos, em abril de 2025. A fabricante confirmou que os produtos eram falsificados. Uma das unidades chegou a ser administrada em um paciente, enquanto as outras oito foram recolhidas e substituídas por medicamentos de um lote cuja origem foi relacionada a uma carga roubada em Minas Gerais, em novembro de 2024.

A investigação também identificou uma inconsistência na documentação apresentada para justificar a origem dos produtos: a nota fiscal de um fornecedor tinha data posterior à venda do medicamento.

Em uma fiscalização realizada em outubro deste ano, os investigadores constataram que empresas relacionadas à apuração continuavam em funcionamento.

A decisão judicial autorizou a prisão preventiva de três investigados e impôs medidas cautelares a outras nove pessoas. Também determinou a suspensão das atividades de sete empresas apontadas na investigação, além de restrições patrimoniais e financeiras.

O caso apura suspeitas de organização criminosa, falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro. As medidas foram determinadas no âmbito da investigação e não representam, por si só, condenação dos envolvidos.

continue lendo