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Patrícia Costa

Solidariedade em tempos extremos: 8 em cada 10 brasileiros já ajudaram vítimas de desastres naturais

Pesquisa inédita mostra o envolvimento direto da população diante da escalada de eventos climáticos que afetam milhares no país

Patricia Costa

Rio Grande do Sul segue sofrendo com as chuvas
RS - CHUVAS/ RS/ENCHENTE/PORTO LEGRE/ONTEM - GERAL - Foto: DONALDO HADLICH /CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

A cada nova tragédia provocada por enchentes, deslizamentos ou secas no Brasil, um dado se repete: a resposta da população costuma ser mais rápida que a do poder público. Uma pesquisa inédita do Ipec revelou que 82% dos brasileiros com mais de 16 anos já prestaram algum tipo de ajuda a vítimas de desastres naturais, seja por meio de doações, trabalho voluntário ou abrindo as portas de casa. O levantamento confirma o que se viu, por exemplo, nas recentes enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, que afetaram mais de 2 milhões de pessoas. Redes de solidariedade se formaram espontaneamente em todo o país, com campanhas de arrecadação, mobilização de caminhões e até abrigos improvisados. Além do envolvimento direto da população, o estudo também mostrou que mais da metade dos entrevistados (57%) considera insuficientes as ações do governo para mitigar os impactos de desastres. Apenas 13% disseram confiar nas autoridades públicas para lidar com essas situações. Os números confirmam um alerta já feito por especialistas e instituições de defesa civil: o Brasil não está preparado para a intensidade e frequência crescente dos eventos extremos. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM),93% das cidades brasileiras já registraram algum tipo de desastre climático entre 2013 e 2023.

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Para os pesquisadores, o resultado do estudo mostra que a solidariedade é uma marca do povo brasileiro, mas também evidencia um problema estrutural: a dependência da iniciativa popular diante de crises que exigem preparo técnico, políticas públicas permanentes e investimento em prevenção. É um dado que mostra empatia, mas também um reflexo da ausência de políticas públicas eficazes. A população se mobiliza porque o Estado chega tarde demais. A pesquisa foi realizada entre abril e maio de 2025, com 2 mil entrevistas em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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