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Fraude no INSS: Afastado do governo Dilma em 2011, Carlos Lupi pode ficar com imagem arranhada mais uma vez

Atual ministro da Previdência chefiou a pasta do Trabalho em outros governos do PT; escândalo pode respingar em Lupi, que indicou e defendeu Alessandro Stefanutto

Felipe Cerqueira

Carlos Lupi
COLETIVA OPERAÇÃO POLÍCIA FEDERAL INSS TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Responsável pela indicação do agora ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), voltou ao centro das atenções após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal. A investigação revelou um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, sem consentimento dos beneficiários. Diante da gravidade do caso, Stefanutto foi afastado e, posteriormente, pediu demissão do cargo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quarta-feira (23).

Stefanutto havia sido nomeado por Lupi em julho de 2023, após a saída de Glauco Wamburg, também demitido por suspeitas de irregularidades. Segundo Lupi, a escolha foi de sua “inteira responsabilidade”. “Ele é procurador da República, servidor que tem me dado todas as demonstrações de ser exemplar”, afirmou o ministro antes da exoneração. A operação da PF revelou que os descontos ilegais começaram em 2016, durante o governo Michel Temer (MDB), e podem ter causado um prejuízo de quase R$ 8 bilhões. Entre 1.300 beneficiários entrevistados, 97,6% relataram não ter autorizado os débitos em folha.

Ministro desde o início do terceiro mandato de Lula, Carlos Lupi já havia chefiado o Ministério do Trabalho entre 2007 e 2011, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Na época, deixou o cargo após ser alvo de denúncias envolvendo convênios com ONGs e uso de avião particular de um dirigente ligado ao ministério — todas as acusações foram negadas por ele.

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Presidente nacional do PDT por quase duas décadas, Lupi se licenciou da função para assumir a atual pasta. Ele fez carreira política no Rio de Janeiro, onde foi deputado federal entre 1991 e 1995, e candidatou-se ao Senado em 2014, sem sucesso. Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), liderou a oposição à reforma da Previdência e abriu processo contra parlamentares do partido que votaram a favor da proposta. A recente crise no INSS representa mais um desgaste para o ministro, que já enfrenta críticas por falhas na gestão e agora lida com as consequências diretas de sua indicação. O governo busca agora um nome interino para comandar o instituto até a conclusão das investigações.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Felipe Cerqueira

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