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Política

Atlas/Bloomberg: Caso Wagner desgasta governo, mas não afeta candidatura de Lula

Maioria dos respondentes acredita que ex-líder do PT no Senado recebeu vantagens indevidas do Banco Master

Marcelo Bamonte

Petista participou de inauguração de hospital com parlamentar investigado 13 dias após operação da PF. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Lula e Jaques Wagner Ricardo Stuckert / PR

Uma pesquisa da Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (02), mostrou que, na percepção do eleitorado brasileiro, o possível envolvimento de Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, com o Banco Master, desgasta o atual mandato petista, mas pouco influencia a decisão de voto para as eleições presidenciais que ocorrem neste ano.

O percentual de pessoas que pensam que o problema é ‘exclusivamente do senador’ é de 37,8%. Já o número de pessoas que acreditam que o caso afeta diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou na marca de 35,6%. Apenas 23,5% pensam que a ocorrência de Wagner afeta ‘parte do governo’, enquanto que 3% disseram não saber.

Na mesma pesquisa, 74,3% dos entrevistados que ficaram sabendo da operação pensam que Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco. Somente 9,4% pensam que não, enquanto que 16,2% disseram não saber.

Desgaste e eleições

Respondentes que tiveram ciência da operação afirmaram, em sua maioria, que o envolvimento de Wagner ‘piora muito’ a imagem do governo Lula. O percentual chegou a 39,6%. A parcela que acredita que a investigação ‘não afeta’ o atual mandato chegou ao número de 36,2%. Somente 17,5% responderam que ‘piora um pouco’, seguidos de: ‘melhora muito’, com 2,4%; ‘melhora um pouco’, com 2%; e ‘não sei’, com 2,2%.

Sobre as eleições deste ano, a situação permanece favorável a Lula. Uma parcela de 36,2% diz que o possível envolvimento de Wagner ‘não prejudica uma eventual candidatura de Lula à reeleição’. Os que acreditam prejudicar ‘muito’ são 32,4%, enquanto que 28,8% dizem que a situação ‘piora um pouco’ o cenário do atual presidente para vencer as eleições.

Relembre o caso

A Polícia Federal deflagrou, em 18 de junho, a nona fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A investigação apurou suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento envolvendo pessoas ligadas ao parlamentar e ao Banco Master. Wagner é investigado devido à sua relação próxima com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e dono do Banco Pleno. O banqueiro foi o responsável por implementar um sistema de crédito consignado para servidores públicos na Bahia, enquanto Wagner era governador, que depois passou a fazer parte do Master. 

Recentemente, nesta quarta-feira (01), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrou Wagner durante o anúncio da inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, no município de Alagoinhas, na Bahia. Durante seu discurso no evento, Lula falou de sua relação com o senador Jaques Wagner e outros políticos do estado, dizendo que “a gente escolhe companheiros” e “nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”.

De 26 a 30 de junho, o Instituto AtlasIntel entrevistou 4.999 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual com taxa de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de junho com número BR-04582/2026.