Como as redes sociais fazem a Gen Z se vestir mal?
A infância frequentemente é associada a um período criativo da vida. Isso porque as crianças estão fazendo a maior parte das coisas pela primeira vez, o que garante um certo desprendimento ao que elas criam.
Mas eu acredito que a criatividade, apesar de exigir espontaneidade, depende de um segundo fator tão importante quanto: o repertório. E isso só vem com a experiência de vida mesmo.
A grande mágica do repertório é que ele é intrínseco e totalmente exclusivo de quem o construiu. Por consequência, o que surge a partir dele tende a ser único e original.
Parece até irônico mencionar as palavras “único” e “original” em um momento no qual me sinto mergulhada em um mar de estéticas pasteurizadas. A ironia é que a geração que mais fala sobre autenticidade talvez esteja vivendo o momento de maior padronização visual da história recente.

Nunca foi tão fácil aprender sobre moda. Um adolescente com um celular tem acesso a mais referências visuais do que um editor de revista tinha há 20 anos. Ainda assim, existe uma sensação estranha ao olhar para os feeds das redes sociais: todo mundo parece estar usando as mesmas roupas.
Talvez a fonte seja o problema. Quando as referências de moda vinham de fontes diferentes (revistas, filmes, músicas e a convivência com a comunidade próxima), os resultados, os resultados no estilo, por óbvio, também eram diferentes.
Mas o algoritmo não recompensa a originalidade. Afinal, a forma de fazer os usuários permanecerem nas plataformas é repetir padrões que já provaram funcionar.

O problema é que, quando o algoritmo faz as escolhas por nós, sobra cada vez menos espaço para o acaso, que sempre foi um dos ingredientes mais importantes do estilo.
Some a isso a velocidade com que as tendências – e os conteúdos sobre elas – mudam. Desenvolver estilo exige repetição, erro e amadurecimento. Mas parece que também não há mais tempo para isso. É muito mais fácil copiar.