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Thiago Uberreich

Brasil deixa a Copa após ‘roteiro de filme de terror’, faz pior campanha desde 1990 e amarga a maior fila de todos os tempos

Nas únicas chances que teve contra os noruegueses, Haaland despachou a seleção da Copa

Thiago Uberreich

brasil eliminado
brasil eliminado WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

É, meus amigos da Jovem Pan. Estou escrevendo estas linhas no calor da hora, como costumavam fazer os grandes cronistas esportivos do passado. A seleção participou, neste domingo, em Nova Jersey, de um “roteiro de filme de terror” ao ser eliminada do maior Mundial de todos os tempos.

O duelo contra a Noruega me lembrou a eliminação do Brasil na Copa de 1990, na Itália, também na fase de oitavas de final. Naquele ano, a equipe de Sebastião Lazaroni martelou, martelou, martelou a Argentina, mas caiu em razão da genialidade de Maradona, que deu um gol de bandeja para Caniggia. Curiosamente, a campanha em 2026 é a pior dos últimos 36 anos, desde quando a equipe nacional amargou o nono lugar.

O que dizer dos comandados de Ancelotti? Será que vamos passar, mais uma vez, anos e anos lamentando o pênalti perdido por Bruno Guimarães? O gol desperdiçado na cobrança de pênalti fez muita falta. O primeiro tempo não foi ruim, é verdade, mas faltou gana, faltou pressão na saída de bola, como já tínhamos visto nos últimos jogos; faltou, antes de tudo, personalidade. Rayan estava bem e não deveria ter saído da partida. Não entendo as razões para colocar Neymar. O jogador levou cartão amarelo e ainda ficou discutindo com o goleiro adversário antes de cobrar o pênalti que amenizou, um pouco, o vexame. Afinal, “2 a 1” não é “7 a 1”. Já Vini Jr. teve alguns lampejos de bom futebol, apesar de ter ficado abaixo das outras apresentações.

Por meses e, talvez, por anos, vamos discutir o gol incrível que Endrick perdeu logo que entrou em campo. Por anos, a torcida brasileira vai se lembrar de Haaland. O “roteiro de filme de terror” previa a eliminação da seleção com gols justamente do grande jogador da Noruega. Com uma calma impressionante, ele marcou o primeiro de cabeça e o segundo em um chute rasteiro, no mesmo canto esquerdo de Alisson. Eu faço votos para que esse goleiro nunca mais vista a camisa da seleção.

Para encerrar estas linhas, só lamento que o Brasil agora tenha entrado na maior fila sem Copas de todos os tempos: seis edições sem erguer o caneco. De 1930 até 1958, foram cinco Mundiais perdidos, mesmo número do jejum de 1970 até o tetra, em 1994. Talvez estejamos vivendo um novo “complexo de vira-latas”, como se referia Nelson Rodrigues às malfadadas derrotas de 1950 e 1954.

O Brasil não é, faz tempo, o país do futebol. Os europeus, responsáveis por eliminar a seleção nos últimos seis Mundiais (França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e Noruega), é que mandam no esporte mais popular do planeta. Aqui, um parêntese: a Argentina só chegou ao título de 2022 por causa de Messi. No Brasil, faltam craques. Não é ser saudosista, mas, sim, realista. Ainda bem que o futuro está sempre em aberto.