Copa do Mundo: existe uma fruta melhor para comer antes das partidas?
O Vini Jr. apareceu, antes de um jogo do Real Madrid, comendo abacaxi. Agora, na Seleção Brasileira, voltou a aparecer consumindo outra fruta. E isso levantou uma dúvida: existe alguma fruta que seja melhor para consumir antes de uma partida? A resposta é: não. Pelo menos, não existe nenhuma evidência científica mostrando que uma fruta específica melhore o desempenho mais do que outra.
Segundo o UEFA Expert Group Statement on Nutrition in Elite Football, o principal objetivo da alimentação pré-jogo é garantir que o atleta inicie a partida com alta disponibilidade de carboidratos, já que esse é o principal combustível utilizado durante o futebol, modalidade que exige ações repetidas de alta intensidade, como sprints, acelerações, mudanças de direção e saltos. Durante uma partida, cerca de 60 a 70% da energia utilizada vem dos carboidratos, o que explica por que esse nutriente recebe tanta atenção na preparação nutricional do jogador.
É justamente por isso que frutas costumam aparecer com frequência no vestiário das equipes. Elas fornecem carboidratos, são práticas, geralmente apresentam boa digestibilidade e ajudam o atleta a complementar sua estratégia nutricional antes do jogo.
Abacaxi, banana, maçã ou uva: dá na mesma?
Nesse contexto, o abacaxi não é superior à banana, que não é superior à maçã, que não é superior à uva. O benefício entre elas tende a ser muito semelhante. A escolha depende muito mais da quantidade de carboidratos que o atleta precisa consumir, da sua preferência, da praticidade e, principalmente, da sua tolerância gastrointestinal.
O consenso da UEFA também reforça outro ponto importante: a estratégia deve ser individualizada. Não existe um alimento obrigatório para todos os jogadores. O que funciona muito bem para um atleta pode não funcionar para outro, seja por questões digestivas, culturais ou simplesmente por preferência alimentar. Além disso, a recomendação é priorizar uma abordagem “food first”, ou seja, utilizar alimentos como base da estratégia nutricional e recorrer a suplementos apenas quando realmente houver necessidade.
Então, antes de procurar uma fruta “mágica”, um alimento secreto ou um suplemento milagroso, vale lembrar o que a ciência mostra hoje: o melhor pré-jogo é aquele que fornece carboidratos suficientes para abastecer os estoques de glicogênio, é bem tolerado pelo atleta, se encaixa na logística da equipe e pode ser repetido com consistência. No fim das contas, o desempenho depende muito mais de uma estratégia nutricional bem planejada do que da fruta escolhida na mesa do vestiário.
Michel Haddad – CRN10 – 8727
Nutricionista