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Bruno Pinheiro

Proibida de tratar de emendas, Mariângela Fialek, a ‘Tuca”, segue nomeada na Câmara

Seu nome já era investigado desde a primeira fase da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025

Bruno Pinheiro

Mariângela Fialek
Mariângela Fialek Reprodução/RedesSociais

A servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, é a personagem central da investigação que resultou, nesta sexta-feira, no bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Seu nome já era investigado desde a primeira fase da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, e aparece ainda em um inquérito anterior, de 2024, sobre o controle das cotas de emendas de cada parlamentar.

Mariângela ocupa desde março de 2021 o cargo de chefe da Assessoria Especial do gabinete da presidência da Câmara dos Deputados, com salário de aproximadamente R$ 25,9 mil, lotada na Diretoria Administrativa (Dirad) da Casa. Sua sala de trabalho fica no Anexo IV, no subsolo do Congresso, área de baixa circulação e pouca visibilidade para o público. Foi nomeada pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de quem também foi assessora, e manteve o cargo mesmo após a saída dele, sob a atual presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), afilhado político do alagoano.

Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao STF, Tuca é descrita como “personagem principal” de um “arranjo funcional informal” criado para operacionalizar indicações de emendas em nome de Valdemar Costa Neto, que, por não exercer mandato, não poderia indicar recursos do Orçamento. A decisão afirma que o processo de encaminhamento das emendas foi “capitaneado” por ela, com auxílio de interlocutores diretos do ex-deputado. A extração de dados do celular dela, apreendido nessa sala do subsolo, foi um dos principais elementos da apuração, revelando o que os investigadores chamam de “arranjo decisório paralelo” na destinação de verbas públicas.

Mariângela aparece nominalmente como investigada em dois crimes na representação policial: peculato-desvio e associação criminosa, ao lado de outros dois servidores da Câmara e do próprio Valdemar Costa Neto. Foi em decisão prévia, que autorizou a operação da PF dentro da própria Câmara, que o ministro Flávio Dino proibiu Mariângela de exercer “atividades relacionadas à proposição, tramitação ou destinação de emendas parlamentares”, ao mesmo tempo em que autorizou a apreensão de documentos, dispositivos e a quebra de sigilo telefônico e telemático dela.

Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara recorreu ao STF pedindo a anulação das provas obtidas pela PF na operação contra Tuca, além do retorno dela ao cargo. Apesar da proibição imposta por Dino, a reportagem apurou que Mariângela segue formalmente nomeada na Câmara, recebendo salário como assessora técnica.