A Fifa deve fazer de tudo para maltratar a Copa do centenário, em 2030
O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, deu o spoiler que vinha movimentando os bastidores do futebol: a Copa de 2030 terá, provavelmente, o dobro de seleções. Ou seja, a Fifa já começou a fazer de tudo para maltratar o mundial que vai marcar o centenário do “maior espetáculo da terra”. Como sempre digo, a Federação não está preocupada em dar espaço a novas seleções e nem integrar ainda mais o planeta bola. Gianni Infantino quer, simplesmente, ampliar o público que consome o futebol para, claro, engordar os cofres da entidade. É difícil lutar contra.
Neste ano, a Copa teve 48 seleções, sendo dezesseis a mais na comparação com o torneio no Qatar, em 2022. Na primeira fase, foram 72 jogos, uma maratona que complicou a vida dos torcedores que sempre gostaram de assistir a todas as partidas. E em 2030? As 64 equipes seriam divididas em 16 chaves que teriam 96 duelos antes do mata-mata. Como efeito de comparação, o mundial de 2026 teve, no total, 104 partidas até a finalíssima. A única vantagem da nova mudança, se é que existe, será o fim da classificação de melhores terceiros colocados. No possível formato para 2030, apenas as duas primeiras seleções vão passar para a fase de dezesseis avos de final, como era quando o mundial contava com 32 participantes.
Os planos megalomaníacos da Fifa inviabilizam a Copa que será disputada daqui a quatro anos. Uruguai, Argentina, Paraguai, Espanha, Portugal e Marrocos vão sediar a competição, algo impraticável, mesmo que o número de jogos na América do Sul seja reduzido.
O mundial de 2030 deveria se limitar aos dois países que fizeram a final da primeira Copa, em 1930: o Uruguai, que foi o país sede, e a Argentina. Dificilmente, essas mudanças não serão aplicadas. Por mais que novas seleções possam participar do “maior espetáculo da terra”, presidentes de confederações europeias e asiáticas já estão criticando o novo inchaço. O problema é que a Fifa não ouve ninguém.
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Thiago Uberreich
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