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Alan Ghani

Riscos inflacionários impedem corte maior da Selic

Motivo para cautela do Banco Central na condução da política monetária decorre de uma série de riscos inflacionários

Alan Ghani

BC
Em 1ª reunião comandada por Galípolo, BC deve elevar Selic FÁTIMA MEIRA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Conforme esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central (Bacen) cortou a Selic em 0,25 p.p. Com a decisão a taxa básica de juros passou de 14,25% a.a. para 14% a.a.

Apesar do corte, a Selic continua em patamar bastante restritivo. O motivo para cautela do Banco Central na condução da política monetária decorre de uma série de riscos inflacionários.

O primeiro é a questão geopolítica. Qualquer escalada na guerra entre EUA e Irã poderá elevar novamente o preço do petróleo para acima de US$100,00 com impactos inflacionários para gêneros agrícolas e bens industriais.

O segundo risco tem relação com as expectativas inflacionárias. Apesar da inflação corrente ter desacelerado, as projeções de inflação, captadas pelo Boletim Focus, estão próximas de 5%, acima do teto da meta de 4,5%.

O terceiro, e não menos importante, é a política fiscal expansionista do governo federal que traz estímulos à expansão da demanda agregada (consumo das famílias e investimentos das empresas), acima da capacidade de oferta (produção) da economia brasileira.

Com todos essa incerteza inflacionária, o Copom não “contratou” um novo corte da Selic para a próxima reunião. As próximas divulgações de inflação e dos índices de atividade econômica, bem como o desenrolar de um acordo de paz no Oriente Médio, serão fundamentais para determinar se a taxa básica de juros vai permanecer em 14% a.a ou haverá uma nova redução. De qualquer modo, dificilmente a Selic deverá ultrapassar 13,5% a.a. em 2026.

Continuamos com uma das maiores taxas de juros do planeta, e a culpa não é do Banco Central.