O ovo da serpente
Neste fim de semana, o Brasil se deparou com uma grande fake news, a de que Flávio Bolsonaro tiraria o título de “padroeira do Brasil” da Nossa Senhora Aparecida. Evidentemente, esse tipo de mentira pode causar danos ao senador Flávio Bolsonaro, principalmente nos eleitores católicos.
Rapidamente, o ministro do TSE, André Mendonça, pediu a retirada de todos os conteúdos do ar. A esquerda reagiu, dizendo que a decisão do ministro não tinha embasamento constitucional e feria a liberdade de expressão.
Acontece que a decisão de Mendonça foi baseada na própria jurisprudência criada pelo ministro Alexandre de Moraes nas eleições de 2022, na qual vários perfis e conteúdos foram bloqueados por determinação da Justiça Eleitoral. À época, os ministros do TSE diziam que a remoção de conteúdos, a derrubada de páginas e a até censura prévia (documentário da Brasil que nem chegou a ir ao ar), sob o rótulo bem embalado de “inibição temporária”, eram para “defender a democracia” e não “interferir no resultado das eleições”.
Naquele momento, criaram-se as condições para derrubada de postagens futuramente. A mesma esquerda que hoje reclama da decisão de Mendonça foi aquela que, em 2022, comemorava as restrições de conteúdo que prejudicavam o presidente Lula ou beneficiavam Bolsonaro. Ali, o ovo da serpente foi gestado. A serpente cresceu, e agora pica todo mundo, da esquerda e da direita.