JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Tempo Real | 14h00 - 16h00
Mundo

Sol ‘engole’ a Terra: como seria o fim do Universo segundo o físico Brian Greene

A vida e as galáxias são apenas 'ilhas temporárias de ordem' em um oceano de caos em constante expansão

Estadão Conteúdo

O sol se põe sobre o horizonte de Dubai, destacando o Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, em Dubai, em 6 de agosto de 2026
O sol se põe sobre o horizonte de Dubai, destacando o Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, em Dubai, em 6 de agosto de 2026. Foto por GIUSEPPE CACACE / AFP

O fim dos tempos não virá acompanhado de explosões e estrondos apocalípticos. Na verdade, o colapso do Universo será um processo lento, frio e incrivelmente silencioso. Essa é a premissa central da palestra O fim do tempo, apresentada nesta quinta-feira, 6, no Rio Innovation Week, no Píer Mauá, no Rio, pelo físico teórico e divulgador científico Brian Greene.

Conhecido por traduzir os conceitos mais complexos da cosmologia e da teoria das cordas para o grande público, Greene traçou a cronologia definitiva do Cosmos – uma trajetória que vai da faísca inicial do Big Bang, há cerca de 14 bilhões de anos, até o inevitável desvanecimento de toda a matéria em algum momento de um futuro longínquo.

“Citando o escritor russo Vladimir Nabokov, eu diria que ‘nossa existência nada mais é que uma réstia de luz entre duas eternidades de escuridão'”, afirmou Greene.

A força motriz por trás desse destino inexorável é a entropia – a tendência natural de todo o Universo de caminhar da ordem para a desordem. Segundo Greene, a vida e as galáxias são apenas “ilhas temporárias de ordem” em um oceano de caos em constante expansão.

“A entropia é o processo pelo qual o Universo degrada as estruturas, destrói as coisas”, afirmou Greene. “É um conceito muito poderoso porque explica como o Universo muda ao longo do tempo, da baixa entropia à alta entropia, da ordem para a desordem.”

Para levar o público até o fim dos tempos, Greene apresentou uma metáfora visual com base nos 102 andares do Empire State Building, em que cada andar do icônico prédio de Nova York representa um salto exponencial no tempo. Atualmente, segundo Greene, estamos no 10º andar. O fim do tempo ocorrerá no 102º.

“No 11º andar, o Sol exaurirá seu combustível e se expandirá mais de 200 vezes, engolindo Marte, Vênus e, possivelmente, a Terra”, afirmou. “No 12º andar, a expansão crescente e acelerada do Universo afastará cada vez mais as galáxias a uma velocidade tal que a escuridão dominará o céu visível.”

Conforme as estrelas se apagam uma a uma, o cosmos entrará em uma era de escuridão. Restarão apenas restos estelares e buracos negros galácticos.

No 20º andar, se a Terra não tiver sido engolida pelo Sol, ela vai acabar. No 30º andar, estrelas serão engolidas pelos buracos negros que acreditamos existirem no centro de cada galáxia. No 38º andar, os prótons, que são o coração da matéria, vão se desintegrar. No 50º andar, se ainda tivermos algum ser consciente, ele terá o seu último pensamento. Isso porque o próprio pensamento cria calor e, nesse ponto, o Universo estará tão repleto de energia que não tem mais capacidade de absorver calor. Qualquer pensamento que eventualmente exista será fritado.

E no 100º andar, até mesmo os buracos negros se desintegrarão em uma sopa de partículas frias, tão distantes umas das outras que nenhuma interação acontecerá. Esse é o “congelamento eterno”.

Se tudo está fadado a evaporar, que sentido há na existência humana? É justamente nesse ponto que Greene une a Física com a Filosofia. Segundo ele, compreender a imensidão do tempo não diminui a importância da existência humana. Pelo contrário, evidencia o quanto nossa capacidade de produzir conhecimento, formular perguntas e compreender o Cosmos é um acontecimento raro e precioso.

“Se pensarem na sua própria existência, perceberão o quão improvável é estarmos aqui”, disse. “Cada um de nós ganhou a loteria mais improvável de todas, a do Cosmos.”

Ou seja, diante da vastidão do Universo, a brevidade da vida não deve inspirar insignificância, mas gratidão pela oportunidade única de existir e compreender o próprio lugar no Cosmos.

“O fato de que partículas se juntaram momentaneamente para formar seres capazes de pensar, amar, compor música e investigar as próprias leis do Cosmos é um milagre estatístico e poético”, concluiu. “Por mais rara e momentânea que seja a existência humana, devemos ser gratos.”