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‘Nunca vivi um terremoto tão forte’, relata sobrevivente na Colômbia

Em Cali, cidade com 2 milhões de habitantes, o prefeito Alejandro Eder afirmou que moradores ficaram presos em pelo menos 20 prédios que desabaram

Estadão Conteúdo

Pessoas buscam sobreviventes em meio aos escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Cali, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026. Um forte terremoto atingiu a Colômbia e países vizinhos da América Latina em 10 de agosto de 2026; equipes médicas correram para socorrer vítimas após danos e desabamentos de edifícios em várias cidades. O serviço geológico colombiano e sua contraparte americana, o USGS, estimaram a magnitude em 7,4, com epicentro a 100 km de profundidade, no oeste do país. Inicialmente, a Colômbia havia estimado a magnitude em 6,6. (Foto de JOAQUIN SARMIENTO / AFP)
Pequenos terremotos, conhecidos como "temblores", são comuns no centro e oeste, mas os que ultrapassam a magnitude 6,0 são raros JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Jorge Moncayo, um taxista de 64 anos em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, disse ter visto nuvens de poeira se levantarem da sua casa nas montanhas, enquanto prédios desabavam após o terremoto na manhã desta segunda-feira (10). A tragédia deixou ao menos 111 mortos, conforme autoridades locais.

“Minha casa inteira tremeu”, disse ele. “Nunca vivi um terremoto tão forte.”

O epicentro foi em San José del Palmar, uma comunidade de cerca de 4.800 pessoas na região de Chocó, a aproximadamente 400 quilômetros (250 milhas) a oeste de Bogotá, informaram o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e seu equivalente colombiano. O USGS disse que o tremor ocorreu a uma profundidade de 107 quilômetros (66 milhas).

Seis aeroportos foram danificados e tiveram que suspender as operações por conta dos estragos. Localizados no oeste do país, eles atendem às cidades de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura.

Em Manizales, cidade situada nas montanhas produtoras de café da Colômbia, uma das torres da catedral neogótica desabou sobre a nave. Jorge Eduardo Rojas, prefeito de Manizales, afirmou que duas pessoas morreram na cidade “por causa do terremoto” e pediu aos moradores que permanecessem ao ar livre em caso de tremores secundários.

A governadora de Chocó, Núbia Córdoba, afirmou nas redes sociais que “há feridos e danos graves em edifícios” na capital regional, Quibdó, uma cidade com cerca de 130 mil habitantes. Ela não forneceu mais detalhes.

Imagens divulgadas por meios de comunicação locais mostraram casas e pequenos edifícios desabando nas cidades de Pereira, Cali e Quibdó.

Em Cali, cidade com 2 milhões de habitantes, o prefeito Alejandro Eder afirmou que moradores ficaram presos em pelo menos 20 prédios que desabaram.

Pequenos terremotos, conhecidos como “temblores”, são comuns no centro e oeste da Colômbia, mas os que ultrapassam a magnitude 6,0 são raros. Em 1999, um terremoto de magnitude 6,2 perto da cidade de Armenia matou mais de 1.100 pessoas.

O recém-empossado presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou nesta segunda-feira que assumiu pessoalmente o comando da resposta do governo à emergência em San José del Palmar, após o terremoto que atingiu o país. “Você não está sozinho. O Estado está presente e tomando medidas”, disse ele.

O terremoto ocorre após dois outros terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela no final de junho. Esses terremotos destruíram centenas de edifícios e mataram mais de 5 000 pessoas.