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David de Tarso

Buzeira e principais investigados na Operação Narco são soltos após decisão do TRF-3

Defesas alegaram que não tiveram acesso a provas da investigação porque arquivos entregues pela Polícia Federal estavam corrompidos

David de Tarso

Influenciador 'Buzeira'
Influenciador 'Buzeira' Reprodução/Instagram/@buzeira_oficial

Os principais investigados na Operação Narco, entre eles o influenciador Bruno Alexander Souza Silva, conhecido como Buzeira, já foram colocados em liberdade nesta quarta-feira (19), após decisão da Justiça Federal. As defesas dos suspeitos impetraram habeas corpus, que foram julgados conjuntamente pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Os pedidos apontaram que os investigados não tiveram acesso integral às provas utilizadas na investigação. Segundo as defesas, mais de 10 terabytes de arquivos armazenados em HDs externos e entregues pela Polícia Federal como parte do material probatório estavam corrompidos.

O conteúdo incluía conversas de WhatsApp, vídeos e registros de transações financeiras. Com parte do material indisponível, os advogados argumentaram que ficaram impossibilitados de analisar adequadamente as acusações e exercer plenamente a defesa.

O TRF-3 reconheceu excesso de prazo na manutenção das prisões e determinou a soltura dos investigados, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Além de Buzeira, foram beneficiados pela decisão Davidson Praça Lopes, Francisco Rafael Rodrigues da Silva e Rodrigo de Paula Morgado. Os investigados são suspeitos dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entre as medidas impostas pela Justiça estão o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o país.

Lavagem de dinheiro e organização criminosa

De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Buzeira teria utilizado casas de apostas on-line, criptomoedas, pessoas interpostas e empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos que, segundo a investigação, seriam provenientes do tráfico de drogas.

Segundo o Ministério Público Federal, entre agosto de 2023 e março de 2025, Buzeira teria enviado pelo menos US$ 15 milhões em criptoativos para Rodrigo de Paula Morgado.

A investigação aponta que o esquema funcionava por meio da circulação de grandes quantias em contas vinculadas a empresas de fachada e pessoas físicas. Os valores passariam por diferentes camadas de movimentações financeiras para dificultar a identificação da origem e, posteriormente, seriam distribuídos aos beneficiários.

Ainda segundo o MPF, a ocultação da origem dos recursos seria viabilizada por meio de criptoativos, que depois eram convertidos em dinheiro e fragmentados em diversas operações antes de chegarem aos destinatários finais.

Morgado já havia conseguido decisão favorável

Para Rodrigo de Paula Morgado, esta é a segunda vez que a Justiça concede uma ordem de habeas corpus favorável.

Ele já havia sido preso em uma operação deflagrada em abril de 2025, que, segundo as investigações, serviu de base para a Operação Narco. Na ocasião, Morgado conseguiu deixar a prisão após uma decisão favorável concedida durante o plantão judicial.

Apesar disso, existem outros pedidos de prisão relacionados a processos distintos envolvendo o investigado.

Quem é Buzeira

Com mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, Bruno Alexander Souza Silva ganhou notoriedade ao promover rifas de veículos de luxo e outros produtos. O influenciador também ganhou projeção nacional após presentear o jogador Neymar com um cordão de ouro avaliado em cerca de R$ 2 milhões.

Buzeira passou a ser investigado pela polícia por suposto envolvimento com o chamado jogo do bicho por meio digital. Nas redes sociais, ele se apresenta como empresário bem-sucedido no mercado digital.

A rápida ascensão financeira do influenciador chamou a atenção das autoridades policiais de São Paulo ainda em 2023 e passou a ser um dos pontos investigados pelas forças de segurança.

As acusações contra os investigados ainda serão analisadas pela Justiça. A decisão que determinou a soltura não representa absolvição, mas reconhece, neste momento, o excesso de prazo das prisões diante das circunstâncias apontadas no processo.

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