Dona do Habib’s entra com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões
O Grupo Gennius, que controla a Ragazzo, Tendall e o Habib’s entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), com uma dívida de R$ 265 milhões.
A companhia informou que a solicitação foi aceita pela Justiça de São Paulo na terça-feira (25).
Segundo a empresa, a medida faz parte de seu processo de “reestruturação financeira”. “Com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”, escreveu o grupo em nota enviada a Jovem Pan.
Eles afirmaram também que as operações do grupo seguem funcionando normalmente, “mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”.
No fim de julho, o grupo havia conseguido com a Justiça um pedido de tutela cautelar antecedente contra credores. Esse tipo de instrumento jurídico é uma espécie de pedido de proteção antecipada contra a execução de dívidas e costuma acontecer antes de um pedido de recuperação judicial.
Entre os motivos para a crise, foram citados os impactos da pandemia entre 2020 e 2022 e as subsequentes mudanças nos hábitos de consumo com a disseminação de plataformas de marketplace.
Esse cenário foi agravado pelo endividamento bancário superior a R$ 300 milhões, que passou a absorver uma parcela crescente do fluxo de caixa e a comprometer a manutenção das atividades.
A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial. O grupo tem agora 60 dias para apresentar seu plano de recuperação.
História do Habbib’s
Presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, o grupo afirmou que a empresa mantém a seriedade com suas marcas. “A companhia segue comprometida com a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros”.
Fundada em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s tornou-se uma rede nacional seguindo o modelo de franquias. Na década de 2010, a rede expandiu-se rapidamente e chegou a faturar R$ 3 bilhões ao ano, com 600 unidades em operação, na busca pelo consumidor da classe C.
Nos últimos anos, manter centenas de megalojas de rua (restaurantes com estacionamento, parquinho infantil e drive-thru) tornou-se financeiramente insustentável.
O grupo iniciou um processo de reestruturação: fechou dezenas de pontos físicos grandes e deficitários e passou a apostar em modelos enxutos, como lojas menores em praças de alimentação de shoppings e quiosques focados em delivery e dark kitchens.
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