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Política

Entenda como fake news sobre Nossa Senhora Aparecida surgiu e movimentou as campanhas

Informação falsa sobre suposta retirada do título de padroeira do Brasil ganhou força nas redes sociais; campanha do senador prepara reação, enquanto Lula e Alckmin também se manifestaram

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Flávio Bolsonaro faz campanha em Chapecó
Flávio Bolsonaro Foto: ISABELA DA SILVA/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A circulação de uma notícia falsa sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida colocou a religião no centro da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação, que ganhou força nas redes sociais desde quinta-feira (24), atribui ao senador a intenção de acabar com o reconhecimento da santa. A história é falsa, mas provocou reações das duas campanhas a poucos dias do primeiro turno das eleições.

A repercussão levou aliados de Flávio a preparar uma ofensiva jurídica e digital para conter a circulação do conteúdo. Do outro lado, a primeira-dama Janja e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fizeram publicações relacionadas à proteção das tradições católicas.

Como começou a polêmica?

A controvérsia ganhou força com publicações nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil.

A história tem relação com um projeto apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, à época filiado ao MDB. A proposta tratava da alteração do título concedido à santa, mas foi arquivada em 2008. Não se trata de um projeto apresentado por Flávio Bolsonaro.

Apesar disso, a narrativa voltou a circular nas redes sociais durante a reta final da campanha presidencial, provocando mobilização entre eleitores católicos.

O que Flávio Bolsonaro disse?

O senador negou que pretenda retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e classificou a informação como falsa.

A campanha passou a acompanhar a repercussão do episódio e demonstrou preocupação com os possíveis efeitos eleitorais da narrativa, especialmente entre os católicos.

Segundo apuração da Jovem Pan, a equipe do candidato avalia que o alcance das publicações exige uma reação rápida para evitar que a informação continue se espalhando.

“Agora é trabalhar pesado e correr para conter os estragos”, afirmou um aliado.

Qual será a reação da campanha?

A estratégia envolve medidas jurídicas contra a disseminação da notícia falsa e uma mobilização nas redes sociais. A intenção é utilizar aliados com capacidade de alcançar diferentes públicos para esclarecer a informação.

Uma das pessoas escaladas é a deputada federal Simone Marquetto (PP), que chegou a ser cotada para ocupar a vice de Flávio e mantém proximidade com o eleitorado católico.

Na sexta-feira (25), durante a passagem do senador pelo rodeio de Jaguariúna, no interior de São Paulo, os dois gravaram um vídeo para rebater a informação.

Outros aliados também devem participar da movimentação. Inicialmente, porém, a campanha não previa uma ação mais ostensiva do próprio candidato, como visitas a igrejas ou aparições específicas com imagens de Nossa Senhora Aparecida.

Qual foi a repercussão nas redes sociais?

Um levantamento da Palver, empresa de tecnologia e inteligência, identificou que cerca de 37% das mensagens analisadas trataram a narrativa como verdadeira.

Segundo a empresa, o conteúdo provocou mobilização entre católicos e pedidos de voto contra Flávio Bolsonaro.

O pico da repercussão ocorreu na sexta-feira (25), quando foram registradas 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes sociais. Nos serviços de mensagens, o índice foi de 15 menções a cada 100 mil.

Os dados ajudam a explicar a preocupação da campanha com a disseminação do conteúdo na reta final da disputa presidencial.

Como Lula e Alckmin reagiram?

A primeira-dama Janja publicou uma fotografia do presidente Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Já o vice-presidente Geraldo Alckmin divulgou um vídeo afirmando que havia recebido mensagens de “católicos preocupados” com a polêmica. Sem mencionar diretamente Flávio Bolsonaro, ele defendeu a preservação das tradições religiosas.

“Enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas”, afirmou.

Alckmin também declarou que o Brasil deve respeitar todas as religiões e é capaz de “conservar pacificamente as tradições católicas”.

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