Comissão vota hoje requerimento que cobra ministro da Justiça sobre a PF em Miami
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara analisa hoje requerimento de informação apresentado pelo deputado Messias Donato ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O documento pede esclarecimentos sobre a atuação do oficial de ligação da Polícia Federal em Miami junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), no episódio que envolveu o ex-deputado Alexandre Ramagem e resultou na expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho do território americano.
No requerimento, Donato questiona se a atuação do delegado foi fruto de ordem direta da Diretoria-Geral da Polícia Federal ou do próprio ministério, e solicita cópia do despacho que teria motivado a ação.
O pano de fundo é delicado. O Departamento de Estado dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, afirmou que o agente brasileiro tentou manipular o sistema de imigração americano para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território norte-americano. Ramagem foi solto em menos de 48 horas, e a Embaixada americana desmentiu a versão de que haveria uma operação de cooperação internacional em curso.
O deputado também quer saber se foi aberto procedimento administrativo para identificar o responsável pela divulgação à imprensa de que a detenção de Ramagem teria resultado de uma cooperação policial, informação que, segundo o requerimento, antecipou atos oficiais e gerou ruído diplomático.
Entre os pedidos, está ainda o envio do relatório detalhado de atividades e dos custos totais de manutenção do delegado Marcelo Ivo de Carvalho nos Estados Unidos durante os três anos em que atuou no país, de março de 2023 a abril de 2026.
Na justificativa, Donato afirma que a expulsão de um agente brasileiro sob acusação de fraude sistêmica e perseguição política expõe o Estado brasileiro a um vexame diplomático sem precedentes e que é inadmissível que a Polícia Federal seja instrumentalizada para servir a agendas partidárias.
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Bruno Pinheiro
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