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‘Risco de propagação do hantavírus é baixo’, diz OMS após mortes em cruzeiro

A Organização Mundial da Saúde informou neste domingo (3) três mortes relacionadas a um possível surto de infecção por hantavírus em um navio de cruzeiro no Atlântico

Victor Trovão

Três mortes por hantavírus em cruzeiro foram confirmadas
Três mortes por hantavírus em cruzeiro foram confirmadas Foto: Divulgação CDC: Cynthia Goldsmith e Luanne Elliott; e AFP

O suposto surto de hantavírus em um navio de cruzeiro holandês, no qual três pessoas morreram, apresenta um risco “baixo” de propagação, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (4), mas os passageiros não foram autorizados a desembarcar em Cabo Verde.

Os hantavírus, transmitidos principalmente aos humanos por roedores infectados, podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas.

Na manhã desta segunda-feira, um fotógrafo da AFP flagrou o navio MV Hondius, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, ancorado no porto de Praia, capital deste arquipélago da África ocidental.

A operadora de turismo Oceanwide Expeditions confirmou que enfrenta uma “situação médica grave” a bordo do MV Hondius.

A empresa confirmou as três mortes, duas a bordo do navio de cruzeiro e uma após o desembarque. Duas vítimas eram holandesas e a nacionalidade da terceira é desconhecida, segundo a imprensa dos Países Baixos.

No entanto, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, transmitiu uma mensagem tranquilizadora.

‘Não há motivo para pânico’

O risco para a população em geral permanece baixo. Não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem”, observou ele.

O diretor enfatizou que as infecções por hantavírus são raras e “não são facilmente transmitidas entre pessoas”.

Os hantavírus são transmitidos aos humanos por meio de roedores selvagens infectados, como ratos ou camundongos, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes. Uma mordida, o contato com esses animais ou seus excrementos, assim como a inalação de poeira contaminada, podem causar a infecção.

A OMS colabora com os países afetados no atendimento médico, evacuação e investigações, informou Kluge.

Segundo a operadora de turismo, um passageiro está na UTI em Joanesburgo e outros dois “precisam de atendimento médico urgente”.

Um paciente britânico foi atendido na África do Sul, confirmou a OMS.

Sem autorização para desembarque

Segundo a Oceanwide Expeditions, as autoridades holandesas tentam repatriar “as duas pessoas que apresentam sintomas e que estão a bordo do MV Hondius”.

O Ministério das Relações Exteriores holandês confirmou à AFP que está “considerando” essa possibilidade.

Médicos locais embarcaram para avaliar a saúde dos dois passageiros doentes, mas a autorização para levá-los à terra firme ainda não foi concedida.

“O navio não recebeu autorização para atracar no porto da Praia” para “proteger a população cabo-verdiana”, declarou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, à Rádio de Cabo Verde na noite de domingo.

O hantavírus foi confirmado no passageiro que está em terapia intensiva em Joanesburgo, informou a operadora. Ainda não se sabe se o vírus causou as três mortes ou os sintomas dos outros dois passageiros doentes.

A OMS indicou no domingo que um caso de infecção por hantavírus foi confirmado e que existem “outros cinco casos suspeitos”.

Sem vacinas ou medicamentos específicos disponíveis contra o hantavírus, os tratamentos atuais se limitam ao alívio dos sintomas.

Aproximadamente 200 casos de síndrome pulmonar por hantavírus ocorrem a cada ano, principalmente nas Américas do Norte e do Sul, segundo o sistema público de saúde do Canadá.