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Política

Entenda os próximos passos de Eduardo Bolsonaro após STF torná-lo réu

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou, por unanimidade, tornar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por coação no curso do processo que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro

Sarah Américo

PGR pede abertura de inquérito para investigar atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra autoridades brasileiras
PGR pede abertura de inquérito para investigar atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra autoridades brasileiras WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, tornar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por coação no curso do processo que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Eduardo Bolsonaro de atuar nos Estados Unidos para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da articulação de sanções do governo Donald Trump, como o aumento de tarifas, suspensão de vistos e aplicação da Lei Magnitsky, que visa punir autoridades responsáveis por violações dos direitos humanos.

Para Moraes, existem “indícios suficientes e razoáveis de autoria” e uma “grave ameaça” dirigida a ministros do STF, com tais ameaças sendo amplamente divulgadas nas redes sociais do deputado. Em resposta, Eduardo Bolsonaro classificou a ação como uma “gambiarra jurídica”.

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Próximos Passos no Processo

Com a decisão do STF, agora o processo seguirá etapas regimentais, incluindo a possibilidade de um pedido de extradição, visto que o deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, o que levanta a questão de como o STF irá formalizar os atos do processo. O primeiro passo após o recebimento da denúncia seria a abertura de um prazo para que a defesa de Eduardo Bolsonaro apresente sua “resposta à acusação”, onde podem ser levantadas alegações como inexistência de crime, prescrição ou questionamentos sobre a própria imputação. Em seguida, caso a denúncia seja aceita, o processo entra na fase de instrução, quando a PGR e a defesa colhem provas, apresentam documentos, arrolam testemunhas e realizam diligências. O interrogatório do acusado é a última etapa dessa fase.

O STF também pode solicitar a extradição de Eduardo Bolsonaro, seja para garantir sua presença durante o processo ou para a execução de uma possível pena. No entanto, como explica o professor Marcelo Crespo, a extradição para execução de pena só seria viável após uma condenação e uma base concreta para a medida. Até o momento, não há uma prisão preventiva ou condenação formal que justifique tal solicitação.

Além disso, a decisão de extraditar Eduardo Bolsonaro dependeria da disposição do governo dos Estados Unidos, que já sancionou alguns ministros do STF no passado. Segundo Crespo, a questão envolve também um componente político, dado o interesse da administração de Donald Trump em aproximar-se do governo Lula.

Após a fase de instrução, o caso seguirá para as alegações finais, onde a PGR apresentará sua posição e, em seguida, a defesa de Eduardo Bolsonaro. O deputado é atualmente representado pela Defensoria Pública da União, visto que não contratou advogado particular. Finalizada essa etapa, a Primeira Turma do STF decidirá se o deputado será condenado, absolvido ou se alguma parte da acusação será arquivada. O julgamento poderá ser realizado presencialmente ou, se o processo seguir pelo plenário virtual, será decidido de forma remota.

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*Com informações do Estadão Conteúdo