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Eliseu Caetano

Cancelamento de debate presidencial no Brasil repercute na imprensa internacional

Reuters, Associated Press, AFP, EFE e veículos internacionais destacaram as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro e as decisões judiciais que antecederam o cancelamento

Eliseu Caetano

Presidente Lula (PT) no debate da Globo em 2022
Segundo a Globo, as decisões criaram uma situação de insegurança jurídica e alteraram condições previamente estabelecidas para a realização do encontro. Divulgação / Ricardo Stuckert

O cancelamento do último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições brasileiras ganhou repercussão na imprensa internacional.

Algumas das principais agências de notícias do mundo destacaram o episódio.

A Reuters publicou uma reportagem específica sobre o cancelamento e destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, os dois principais nomes da disputa presidencial, decidiram não participar do encontro.

A agência também chamou atenção para as decisões judiciais de última hora que alteraram regras previamente estabelecidas para o debate. Segundo a Reuters, o episódio também evidencia uma mudança no papel dos tradicionais debates televisionados durante as campanhas eleitorais brasileiras.

A Associated Press destacou que o cancelamento deixou cerca de 158 milhões de eleitores sem a oportunidade de assistir a um confronto direto entre os dois principais candidatos antes da votação.

A agência americana ressaltou ainda que esta é a primeira vez em duas décadas que os principais candidatos à Presidência do Brasil chegam ao primeiro turno sem terem se enfrentado publicamente em um debate.

A AP também relatou as duas decisões judiciais que antecederam o cancelamento. Uma delas impediu a Globo de manter no cenário o púlpito vazio reservado a Lula. A outra determinou que a emissora incluísse o candidato Renan Santos no debate.

Segundo a Globo, as decisões criaram uma situação de insegurança jurídica e alteraram condições previamente estabelecidas para a realização do encontro.

Nos Estados Unidos, a reportagem da Associated Press foi publicada pelo Washington Post. O jornal destacou que o debate da Globo representava a última oportunidade para um confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da abertura das urnas no domingo.

A cobertura da Associated Press também chegou à ABC News e a outros veículos americanos que repostaram as reportagens sobre o tema.

A agência France-Presse também repercutiu a ausência dos dois principais candidatos. A AFP destacou que Lula optou por participar de um podcast enquanto Flávio Bolsonaro anunciou a desistência horas antes do debate e atribuiu a decisão ao que chamou de censura da Justiça Eleitoral.

A repercussão chegou também ao Al Jazeera. O veículo internacional publicou uma reportagem destacando o cancelamento, as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro e a justificativa apresentada pela Globo de que decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal haviam criado insegurança jurídica para a realização do programa.

Na Europa, a Deutsche Welle publicou uma reportagem detalhando a sequência de acontecimentos que levou ao cancelamento. O veículo alemão destacou que Flávio Bolsonaro desistiu poucas horas antes do programa e que decisões judiciais haviam modificado o formato inicialmente previsto pela emissora.

No mundo de língua espanhola, a agência EFE também deu destaque ao episódio. Em reportagem publicada nesta sexta-feira, a agência espanhola descreveu o cancelamento como uma situação incomum na história recente das eleições brasileiras e relacionou o episódio às ausências de Lula e Flávio Bolsonaro e à intervenção da Justiça nas regras do debate.

A reportagem da EFE também começou a circular em veículos da América Latina, ampliando a repercussão do episódio fora do Brasil.

A cobertura internacional converge principalmente para três pontos: a ausência dos dois principais candidatos, as decisões judiciais de última hora que modificaram as condições para a realização do encontro e o fato de os eleitores terem perdido a última oportunidade de assistir a um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação.

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras acontece neste domingo, 4 de outubro.

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