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Amcham Brasil critica tarifa dos EUA e defende retomada do diálogo bilateral

Entidade aponta que medida pode prejudicar a própria economia norte-americana

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Amcham Brasil critica tarifa dos EUA e defende retomada do diálogo bilateral Ricardo Stuckert/PR e Will Oliver/Pool/EFE/EPA

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) classificou como um “resultado muito negativo para a relação bilateral” a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos exportados pelo Brasil. A medida, anunciada na quarta-feira (15), é resultado da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana e passa a valer em 22 de julho.

Segundo a entidade, a sobretaxa coloca o Brasil entre os países com as condições mais restritivas de acesso ao mercado dos Estados Unidos, atingindo mais de US$ 11 bilhões em exportações dos setores industrial e do agronegócio. A Amcham destacou que a medida contrasta com o atual cenário do comércio bilateral. De acordo com a entidade, os Estados Unidos registraram superávit de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços nas relações com o Brasil em 2025, enquanto os produtos norte-americanos enfrentam baixas tarifas de importação no mercado brasileiro.

Além dos impactos para exportadores brasileiros, a entidade avalia que a decisão também pode prejudicar a economia dos próprios Estados Unidos. “A aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região”, afirma a nota.

O comunicado também diz que a medida pode comprometer a cooperação entre os dois países em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. Segundo a Amcham, o aumento das tarifas tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já acumula queda de 13% neste ano, além de afetar negativamente os investimentos entre Brasil e Estados Unidos.

O presidente da entidade, Abrão Neto, defendeu a continuidade das negociações entre os dois governos. “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla.”

Ele também alertou para a possibilidade de novas medidas comerciais. “Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%.”

A Amcham considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, afirmando que a decisão reduz parte dos impactos econômicos da medida. No entanto, a entidade defendeu a criação de um mecanismo que permita ampliar a relação de itens isentos quando as sobretaxas provocarem prejuízos desproporcionais para empresas e consumidores ou não contribuírem de forma efetiva para solucionar as preocupações comerciais levantadas pelos Estados Unidos.

Ao final da nota, a Amcham Brasil reafirmou que continuará atuando para fortalecer o diálogo entre os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias.