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Brasil perdeu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais em 40 anos

Amazônia foi o bioma com maior prejuízo, com 52,1 milhões de hectares devastados, seguido do Cerrado que teve 40,5 milhões de hectares de vegetação perdidos, segundo dados do MapBioma

ia samy

Desmatamento
DESMATAMENTO NO CERRADO SOBE 62% Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Nos últimos 40 anos, o Brasil perdeu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais, o que representa cerca de 13% do território do país, conforme dados do MapBioma divulgados nesta quarta-feira (13).Entre 1985 e 2024, a conversão dessas áreas foi impulsionada principalmente pela agropecuária, mineração, urbanização e infraestrutura, que juntas responderam por 60% das perdas. A média anual de desmatamento foi de 2,9 milhões de hectares, com as formações florestais sendo as mais impactadas, totalizando 62,8 milhões de hectares. Segundo o pesquisador Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, “os 40% restantes dessa conversão ocorreram em apenas quatro décadas, de 1985 a 2024”.

Além das florestas, as áreas úmidas também sofreram uma redução significativa de 22% nesse período. A pastagem ocupou 62,7 milhões de hectares, enquanto a agricultura se estabeleceu em 44 milhões de hectares. Os estados que mais se destacaram em ocupação agrícola foram Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Embora a pecuária tenha contribuído para a destruição de áreas naturais, sua expansão se estabilizou a partir dos anos 2000.

De acordo com os pesquisadores, a pecuária, no acumulado de todo o período, tem maior atuação na supressão de áreas naturais por causa do crescimento da agropecuária em áreas já abertas anteriormente pela pastagem. “De forma geral, a expansão da pecuária parou no início dos anos 2000 e começou a se estabilizar. Atualmente, ela tem pequena tendência de queda da conversão”, diz Tasso Azevedo.

Biomas

Nas quatro décadas pesquisadas, a Amazônia foi o bioma que perdeu a maior extensão de cobertura verde. Foram 52,1 milhões de hectares. O Cerrado teve 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa suprimidos.  A área natural da Caatinga convertida foi de 9,2 milhões de hectares e a da Mata Atlântica, de 4,4 milhões. O Pantanal, por sua vez, teve 1,7 milhão de hectares e o Pampa perdeu 3,8 milhões, sendo o bioma que teve maior perda de vegetação nativa proporcional ao tamanho do território: 30%.

Histórico

Na primeira década, até 1994, foi registrado aumento de 36,5 milhões de hectares de áreas antrópicas, convertidas principalmente em pastagens, mesmo sendo o período em que 30% dos municípios registraram o maior crescimento de área urbanizada. A transformação mais significativa ocorreu na década seguinte, quando a conversão de cobertura verde para agropecuária totalizou 44,8 milhões de hectares no país. Dessa área, a expansão da agricultura representou 35,6 milhões de hectares. Também foi nesse período que o chamado Arco do Desmatamento na Amazônia se consolidou.

Nos últimos 40 anos, o período entre 2005 e 2014 foi o que menos sofreu mudança de uso do solo, quando 17,6 milhões de hectares de vegetação nativa foram suprimidos no país. A maior parte afetada – 15,4 milhões – foi de floresta, que inclui formação florestal, savânica, floresta alagável, mangue e restinga arbórea.

Nos últimos dez anos, a degradação da cobertura verde voltou a crescer, segundo o estudo. Enquanto a mineração aumentou, principalmente na Amazônia, a expansão agrícola desacelerou em todos os biomas, não impedindo o surgimento de mais uma área de desmatamento na região: a Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia).

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Uso do solo

O estudo do Mapbiomas é o mais completo já realizado no Brasil sobre o uso do solo, com 30 classes mapeadas e dados de 40 anos. Nesta edição, o levantamento recebeu mais uma classe com o mapeamento de usinas fotovoltaicas, que se expandiram pelo país entre 2015 e 2024, com 62% da área mapeada concentrada na Caatinga. “É a primeira vez que a gente acrescenta uma classe de infraestrutura como mapeável dentro dos biomas, que é a classe das fazenda solares e que virou um uso da terra no Brasil”, destaca Tasso Azevedo.

*Reportagem produzida com auxílio de IA e com informações da Agência Brasil 

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