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IBGE: Mulheres vivem quase sete anos a mais que os homens

Tábuas de Mortalidade de 2024 mostram que a expectativa de vida feminina beira os 80 anos, enquanto a masculina é impactada severamente pela violência na juventude

Nicolas Robert

Pesquisa do IBGE, divulgada nesta sexta-feira (28), aponta que as mulheres vivem significativamente mais que os homens
Pesquisa do IBGE, divulgada nesta sexta-feira (28), aponta que as mulheres vivem significativamente mais que os homens Divulgação / Freepik

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (28), aponta que as mulheres vivem significativamente mais que os homens. Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade de 2024, a expectativa de vida ao nascer para a população feminina alcançou 79,9 anos, enquanto a masculina ficou em 73,3 anos.

Essa diferença de 6,6 anos — quase sete anos de vantagem para elas — expõe dinâmicas sociais e de saúde distintas entre os sexos. Embora ambos tenham registrado aumento na longevidade em relação a 2023, com o país atingindo a média geral de 76,6 anos, o “teto” de vida das mulheres permanece superior em todas as faixas etárias analisadas.

Violência na juventude

A principal razão estatística para que a média dos homens seja tão inferior à das mulheres não está na biologia, mas na violência. O estudo do IBGE destaca uma disparidade alarmante na fase adulta jovem.

Entre os 20 e 24 anos, a chance de um homem morrer é 4,1 vezes maior do que a de uma mulher da mesma idade. Esse fenômeno, técnico e demograficamente chamado de “sobremortalidade masculina”, é impulsionado por causas externas e não naturais, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios.

Essa “perda” precoce de vidas masculinas puxa a média geral dos homens para baixo. A série histórica mostra que, a partir da década de 1980, com a urbanização acelerada, as mortes violentas passaram a impedir que a expectativa de vida masculina crescesse no mesmo ritmo da feminina.

Vantagem feminina se mantém na velhice

Mesmo quando se analisa apenas a população que sobreviveu à juventude e chegou à terceira idade, as mulheres continuam vivendo mais. Para quem completa 60 anos em 2024, a expectativa é viver, em média, mais 24,2 anos se for mulher, contra 20,8 anos se for homem. Ou seja, uma idosa de 60 anos tem a perspectiva de ultrapassar os 84 anos de idade, enquanto o idoso tende a chegar aos 80.

A vantagem persiste até nas idades mais avançadas. Aos 80 anos, as mulheres têm uma projeção de viver mais 9,5 anos, enquanto os homens têm uma sobrevida estimada de 8,3 anos.

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Recuperação pós-pandemia

Os dados de 2024 também reforçam a recuperação da saúde pública após a crise sanitária da Covid-19. Em 2021, a expectativa de vida feminina havia recuado para 76,4 anos e a masculina para 69,3 anos. O retorno ao crescimento da longevidade para ambos os sexos é atribuído, entre outros fatores, à redução da mortalidade geral e infantil, impulsionada por melhorias no saneamento, vacinação e atenção básica à saúde ao longo das últimas décadas.

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