JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
JP Saúde | 16h30 - 17h30
Brasil

Professora é proibida de se aproximar de aluna após jogar presente de criança no chão

Episódio teria ocorrido em novembro de 2025, em uma escola municipal do Rio de Janeiro

Jovem Pan

tjrj
tjrj Divulgação/TJRJ/Agência Brasil

O juiz João Zacharias de Sá, da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), acolheu na quinta-feira (26) pedido de medidas protetivas a favor de uma criança de 5 anos vítima de intolerância religiosa de sua professora. O episódio teria acontecido em novembro de 2025, em uma escola municipal no Rio de Janeiro.

Segundo a decisão, obtida pela Jovem Pan, a criança presenteou a professora com uma flor amarela e mencionou a relação com o orixá Oxum, divindade cultuada pela família da menina. A docente teria arremessado a planta no chão, pisoteado e afirmado que “pertencia ao diabo”, na presença de aproximadamente 20 alunos.

“Nos quinze dias que se seguiram, a [criança] recusou-se a retornar à escola, passando a demonstrar angústia, insegurança, temores e ansiedade, inclusive no ambiente domiciliar, a revelar o impacto da violência e a extensão do trauma a que foi submetida”, relatou o juiz no despacho.

Diante da reação da professora e do comportamento posterior da criança, o magistrado decidiu proibir a aproximação da docente da menina, fixou limite mínimo de 300 metros de distância, além de vedar contato por qualquer meio de comunicação.

“As informações que vieram aos autos indicam que a criança foi vítima de violência psicológica e discriminação religiosa […]. A situação de risco concreto e o fundado receio de reiteração justificam a intervenção judicial imediata”, justificou com base na lei conhecida como Henry Borel.

Para o fundador do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), Hédio Silva Júnior, a decisão judicial é “histórica”. “O que se reconhece aqui é que o racismo religioso não é uma abstração, mas uma forma grave de violência psicológica, capaz de produzir traumas profundos em uma criança”, afirmou.