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Moradores vivem rotina de medo em condomínio de Mauá em meio a risco de colapso

Imagens enviadas à Jovem Pan mostram os danos na estrutura

Jéssica Nunes

Condomínio em Mauá
Condomínio em Mauá Divulgação

Um condomínio residencial em Mauá, no ABC Paulista, tornou-se palco de um drama humanitário e jurídico. Um laudo pericial judicial confirmou o “grau severo” de risco estrutural na edificação, onde moradores convivem com rachaduras, estalos e infiltrações que formam “cachoeiras” nos imóveis. O cenário de insegurança provocou um êxodo, transformando o local em um prédio fantasma onde apenas três famílias resistem sob medo constante.

“Comprar um imóvel na planta ou recém-construído é o plano de vida de qualquer família. É o reflexo de anos de economia. No meu caso, esse sonho virou um pesadelo em pouquíssimas semanas”, afirmou à Jovem Pan Ivone da Silva, ex-proprietária de uma casa no condomínio.

A decisão da 3ª Vara Cível de Mauá, transitada em julgado em 18/05/2026, impôs um prazo de 90 dias para que a construtora Morada da Villa III conclua as intervenções estruturais. Em caso de descumprimento, a empresa enfrentará multa diária de R$ 1.000,00. Enquanto a defesa da construtora minimiza os riscos e afirma que as reformas ocorrem com os moradores no local, os documentos oficiais anexados ao processo reforçam a gravidade das falhas e a necessidade de medidas drásticas de segurança.

Dano estrutural em condomínio em Mauá

Em um desdobramento que amplia a incerteza dos moradores, a Defesa Civil municipal chegou a paralisar totalmente o uso da estrutura em 2024; contudo, o órgão reverteu a interdição posteriormente. A reportagem entrou em contato com a Defesa Civil sobre a situação atual do condomínio e o motivo pelo qual houve a suspensão da interdição, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Ricardo Dias, outro morador que planejou a compra do imóvel por anos, também conta que viu sua vida virar do avesso. Após o condomínio passar por uma interdição parcial emitida pela Defesa Civil, ele tomou a dolorosa decisão de abandonar o local.

Dano estrutural em condomínio em Mauá

“Um sonho que se tornou um pesadelo. Anos de planejamento e renúncia para ter um imóvel e descobrir que o condomínio inteiro está com problemas que põem em risco as vidas dos moradores”, lamentou Ricardo. Ao ser questionado sobre o motivo de sua mudança, ele é categórico: “A interdição pela Defesa Civil e a gravidade dos vícios construtivos, constatados pelo laudo pericial.”

Procurada pela Jovem Pan, a advogada da construtora, Patrícia Holanda, afirmou que as obras podem ser realizadas enquanto os moradores estão no local e citou uma perícia particular que atesta a afirmação. No entanto, um perito nomeado pelo juiz recomendou a retirada dos moradores.

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