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Wanderley Nogueira

Irã eliminado: jogadores e imprensa denunciam “injustiça histórica”

A eliminação do Irã na fase de grupos da Copa do Mundo 2026, após um empate dramático por 3 a 3 entre Áustria e Argélia, não passou despercebida.

Wanderley Nogueira

Alireza Jahanbakhsh
Alireza Jahanbakhsh HECTOR RETAMAL / AFP Foto por HECTOR RETAMAL / AFP

Invicta, mas fora da competição como a nona melhor terceira colocada, a seleção iraniana viveu um dos capítulos mais polêmicos do torneio. Jogadores e imprensa do país não pouparam críticas à organização, à FIFA e ao país-sede.

“Fizeram de tudo para nos eliminar”

O capitão Mehdi Taremi foi o principal porta-voz da revolta iraniana. Após o empate contra o Egito, ele não se conteve:

“Esta é uma Copa do Mundo desastrosa. Como jogadores profissionais, não podemos disputar uma competição nessas condições. Não está certo nem é justo. A FIFA prometeu resolver os problemas, mas não fez nada. Eles fizeram de tudo para nos eliminar.”

Taremi citou diretamente as dificuldades logísticas, como controles migratórios constantes, impossibilidade de treinar nos Estados Unidos e a necessidade de retornar para Tijuana, no México.

Para o atacante, havia uma clara intenção de prejudicar o Irã.

O técnico Amir Ghalenoei reforçou o discurso, afirmando que o Irã foi “a seleção mais oprimida de toda a Copa”. Ele destacou as restrições políticas que afetaram a delegação desde o início, incluindo a ausência de parte da comissão técnica por problemas de visto.

Mesmo com apenas três empates, o time saiu de campo de cabeça erguida e com a forte sensação de que fatores externos pesaram mais do que o futebol.

A imprensa iraniana: “Prejudicados por política e combinação”

A mídia do Irã foi ainda mais dura. Jornais e agências como IRNA, Tasnim e Fars publicaram matérias com títulos como “Eliminação Injusta” e “Conspiração contra o Irã”.

Os veículos acusam o empate entre Áustria e Argélia de ser “suspeito” e pedem uma investigação oficial da FIFA, comparando a situação ao infame “Jogo da Vergonha” de 1982.

Também denunciam o que classificam como “tratamento discriminatório” por parte dos Estados Unidos, citando restrições de viagem, torcida limitada e ausência de apoio logístico.

Além disso, enfatizam que o Irã saiu invicto, mas foi eliminado por “detalhes burocráticos e políticos”.

Para a imprensa local, a campanha iraniana foi marcada por obstáculos fora de campo desde o sorteio: jogos em território americano em meio a tensões geopolíticas, promessas não cumpridas pela FIFA e um sentimento generalizado de que a delegação “não era bem-vinda”.

Um adeus amargo, mas com dignidade

Enquanto o mundo discute o drama do último lance em Kansas City, o Irã se despede da Copa do Mundo de 2026 com uma mensagem clara: dentro de campo, competiu de igual para igual.

Fora dele, porém, jogadores, comissão técnica e imprensa afirmam ter sido vítimas de um cenário que misturou esporte, política e injustiça.

Resta agora saber se a FIFA responderá às cobranças ou se o episódio entrará para a história como mais uma das polêmicas de um Mundial já marcado por controvérsias.