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MPSP denuncia quatro pessoas por morte de jovem jogada sem corda de rope jump

Três devem responder por homicídio e uma quarta por eliminar provas

Rafael Rintzel

Mulher é lançada de 40 metros de altura sem cordas durante salto de rope jump
Mulher é lançada de 40 metros de altura sem cordas durante salto de rope jump Reprodução / Redes sociais

A Promotoria de Justiça de Limeira (SP) denunciou, nesta terça-feira (7), quatro pessoas por envolvimento na morte da jovem de 21 anos, arremessada sem corda da ponte do esqueleto durante um salto de rope jump. Na denúncia, o Ministério Público (MP) defende que os responsáveis pelo salto sabiam dos riscos da atividade e não tomaram as precauções necessárias.

Três homens poderão responder por homicídio com dolo eventual (quando não têm intenção, mas assume o risco de matar), qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A quarta denunciada, apontada como organizadora da atividade, foi denunciada pela prática do mesmo crime, mas por omissão imprópria, já que deveria garantir a segurança dos participantes.

Como a quarta acusada tentou eliminar o vídeo gravado pela câmera de ação que estava com a vítima no momento, considerado uma prova para a investigação, também é acusada de fraude processual. 

Os responsáveis por levar o caso ao Judiciário são os promotores de Justiça Mário Robim da Silva Júnior, Michelli Musse Jacob, João Guilherme Salve, Matheus Bulgarelli de Freitas Guimarães, Renato Fanin e André Camilo Castro Jardim.

Investigação

De acordo com as investigações, a empresa denunciada promovia saltos para cerca de 80 a 100 participantes por dia, sem a estrutura formal e sem observar protocolos básicos de segurança.

A jovem morreu após ser lançada de 40 metros de altura sem cordas no dia 13 de junho, no viaduto ferroviário desativado conhecido como Ponte do Esqueleto, em uma modalidade de salto conhecida como “aviãozinho”, em que os funcionários erguem a pessoa e a arremessam para a queda.

Porém, a corda que deveria parar a queda da jovem não foi colocada pelos acusados, fazendo com que ela chegasse ao chão e morresse em decorrência de múltiplas lesões graves em todo o corpo.

Segundo o Ministério Público, os responsáveis pela execução do salto tinham conhecimento dos riscos do salto e não tomaram os cuidados que seriam necessários para que a jovem pudesse saltar, como conferir que a corda estava amarrada ao peitoral da vítima e a dupla checagem dos equipamentos. 

A investigação ainda apontou problemas no funcionamento da empresa, como a falta de funções definidas e priorizar interesse econômico e divulgação dos saltos sem dar a devida importância para a segurança dos participantes.

Organizadora

O MP destaca que a organizadora do evento deveria ser a responsável pelos padrões de segurança e parar os saltos ao perceber que a atividade estava sendo feita sem cumprir com as exigências legais.

Ela também é denunciada por fraude processual, ao tentar dificultar a investigação. Ela encontrou a câmera de ação fixada à cabeça da vítima durante a queda e excluiu o vídeo gravado no salto. A justiça ainda não encontrou o equipamento.

O MPSP pediu que os três homens sejam mantidos em prisão preventiva, mas defendeu que a organizadora vá para prisão preventiva, atualmente ela tem prisão apenas temporária. Os promotores pediram também que o Judiciário inclua na pena R$ 200 mil em reparação pelos danos causados.

A Jovem Pan tenta contato com os denunciados, que não tiveram os nomes divulgados. O espaço está aberto para manifestação.