Retrospectiva 2018: Bolsonaro anuncia 22 ministros; seis deles são militares
A virada para o ano de 2019 será marcada pela expectativa de um novo governo no País. Jair Messias Bolsonaro, militar da reserva de 63 anos, assumirá a Presidência da República a partir do dia primeiro de janeiro.
Com a promessa de acabar com o “toma lá dá cá” na política ministerial, a transição de governo do presidente eleito foi acompanhada sob os olhos atentos de seus eleitores e críticos.
Ao todo, serão 22 ministérios no governo Bolsonaro, sete pastas a mais do que o prometido no início de campanha eleitoral. Dos nomes anunciados como ministros, chama a atenção o número de militares, serão seis ministros ligados às Forças Armadas, a maior quantidade desde a redemocratização.
Outros sete nomes são filiados a partidos políticos, destacando-se ai a vantagem dada ao Democratas, que ganhou três ministérios.
O da Agricultura, que estará sob a liderança de Tereza Cristina, o do Saúde, com Luiz Mandetta e o Ministério da Casa Civil, chefiado por Onyx Lorenzoni, também articulador da transição. Além de Tereza Cristina, a equipe de Bolsonaro conta com mais uma mulher no primeiro escalão. A pastora Damares Alves comandará o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.
Com posições polêmicas, Damares se coloca contra a descriminalização do aborto e a favor do Estatuto do Nascituro, que visa garantir proteção total ao feto, incluindo situações de gravidez proveniente de estupros.
Um dos nomes de ministros que surpreendeu a todos foi o de Ricardo Velez Rodriguez, o filósofo colombiano que ficará a frente do Ministério de Educação.
A indicação de Rodriguez surgiu após a bancada evangélica protestar contra o possível nomeação do educador Mozart Neves, considerado pelos religiosos como alguém ligado a esquerda.
Velez Rodriguez é um forte crítico a Lula, ao PT e ao ensino do marxismo nas escolas.
Entre os nomes estrelados da equipe de Bolsonaro, estão o ex-juiz federal Sérgio Moro, que comandará o superministério da Justiça e Segurança Pública e o economista Paulo Guedes, que será o superministro da Economia.
Conhecido como Posto Ipiranga de Bolsonaro, Guedes comandará as atuais pastas da Fazenda, Planejamento, e Indústria, Comércio e Serviços que estarão reunidas no novo ministério. Parte das atribuições do Ministério do Trabalho também estará sob a responsabilidade do economista formado pela Escola de Chicago.
Com uma forte agenda liberal, Paulo Guedes terá o desafio de ajustar as contas nacionais e aprovar uma Reforma da Previdência.
Levantando fortemente a bandeira contra a corrupção, o quinto ministro nomeado por Bolsonaro foi o ex-juiz Sérgio Moro. A partir dali, Moro dividiu com Paulo Guedes o posto de indicação de maior peso no governo de transição.
Para assumir o cargo, Sérgio Moro precisou pedir exoneração do cargo de juiz federal, após 22 anos de magistratura.
Moro ganhou grande destaque a frente de processos da Operação Lava Jato na décima terceira Vara Federal da Justiça Federal, em Curitiba.
Como juiz, condenou políticos e empresários famosos como o ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva e Marcelo Odebrecht.
Moro havia prometido nunca se tornar político, em boa parte por conta das acusações da defesa de Lula de que o julgamento do ex-presidente teria sido tendencioso.
Um dos grandes desafios do ex-juiz será combater o crime organizado e as facções que agem dentro e fora dos presídios. O Brasil hoje enfrenta uma de suas mais graves crises de segurança, com situações que desembocaram até em Intervenção Federal em alguns estados.
O governo Bolsonaro começa o mandato com alguns desgastes. O militar da reserva que foi eleito com o comprometimento de combater a corrupção tem pelo menos 3 ministros investigados e 1 condenado. Entre eles, Paulo Guedes, Onyx Lorenzoni, Luiz Mandetta e Ricardo Salles.
Além disso, pesa contra a figura do presidente eleito, as acusações contra o ex-assessor do filho Flávio Bolsonaro no caso do Coaf.
Quando subir a rampa do Palácio do Planalto, no dia 1º de janeiro, além das controvérsias o cercam, Jair Bolsonaro terá que encarar desafios dignos de um país de mais de 200 milhões de habitantes.
*Informações da repórter Victoria Abel
Assuntos
continue lendo
Política
Perícia recusou ao menos 15 aparelhos de operação sobre ‘Dark Horse’ por falha no lacre
Equipamentos tinham selo intacto, mas perícia identificou vão que permitiria conexão USB
- Chuva dá trégua na cidade de SP, mas frio persiste; veja até quando Estadão Conteúdo · há 6 horas
- Mulher de Lito Sousa diz que influenciador recebeu medicamento experimental Estadão Conteúdo · há 11 horas
- Aos 94 anos, Cacique Raoni é diagnosticado com câncer e recebe cuidados paliativos em MT Agência Brasil · há 21 horas
- Brasileira de 26 anos desaparece após colisão entre barcos em Veneza; marido morreu Estadão Conteúdo · há 22 horas