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Política

Perícia recusou ao menos 15 aparelhos de operação sobre ‘Dark Horse’ por falha no lacre

Equipamentos tinham selo intacto, mas perícia identificou vão que permitiria conexão USB

Pedro Vilas Boas e Matheus Alleoni

Aparelhos de operação sobre Dark Horse com falhas no lacre
Aparelhos de operação sobre Dark Horse com falhas no lacre Reprodução

A perícia do Instituto de Criminalística de São Paulo recusou, em junho deste ano, o recebimento de ao menos 15 aparelhos apreendidos pela Polícia Civil em endereços ligados a Karina da Gama, dona da produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A recusa consta em documentos cujo sigilo foi levantado neste domingo (13) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O material inclui notebooks, celulares e pen drives. Cada item chegou em embalagem separada e com o lacre aparentemente inviolado. Mesmo assim, os peritos registraram um vão nos pacotes.

“Muito embora o lacre numérico de segurança encontre-se fechado e com sua numeração preservada, constatou-se que o invólucro foi tracionado de forma inadequada na origem. Essa falha gerou um vão livre/abertura considerável permitindo o acesso à peça mesmo sem o rompimento do lacre”Trecho do termo de recusa

Segundo a avaliação técnica, o espaço era suficiente para a passagem de um cabo USB, o que permitiria ligar o aparelho e extrair ou alterar dados sem romper o selo. Em 13 dispositivos, o termo de recusa dizia: “vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior dos aparelhos”.

De acordo com documento da Polícia Civil de SP, os aparelhos foram devolvidos à delegacia para readequação do lacre.

Levantamento de sigilo

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o levantamento do sigilo dos autos da Petição 16.669 e de todos os documentos e provas oriundos da Justiça Estadual de São Paulo. A investigação apura um suposto esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro envolvendo o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Na decisão deste domingo, o magistrado destacou que a publicidade ampla dos atos investigativos é fundamental para prevenir “vazamentos seletivos” e garantir o tratamento igualitário entre os investigados. Dino fundamentou a medida em uma “viragem jurisprudencial” na Corte, respaldada em entendimentos recentes dos ministros André Mendonça e Edson Fachin sobre a garantia constitucional da transparência.

Um dos pontos centrais que fundamentaram a unificação das apurações sob a supervisão do STF e da Polícia Federal, que já havia sido determinada, é a interligação entre contratos municipais de São Paulo e verbas federais destinadas ao projeto do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com os relatórios policiais aceitos no Supremo, a investigação da PF em Brasília mapeou repasses de recursos públicos federais entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões para o longa. O projeto do filme está vinculado à produtora Go Up Entertainment Ltda., de propriedade de Karina Ferreira da Gama, que também é a dirigente e representante legal do Instituto Conhecer Brasil (ICB) — entidade que mantinha termo de colaboração com a Prefeitura de São Paulo.

Os registros financeiros revelaram que Mário Frias realizou remessas diretas de valores para a Go Up Entertainment em montantes considerados materialmente incompatíveis com seus rendimentos declarados e com os créditos de suas contas bancárias. Essa movimentação colocou o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira sob apuração, conectando as verbas do filme às emendas e contratos municipais.

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