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Bia Garbato

Acho chic

Elegância não é sinônimo de etiqueta

Bia Garbato

Mulher elegante caminha na rua
Mulher elegante caminha na rua Freepik

Acho chic assumir que assiste BBB, mesmo sendo assinante da revista Piauí (super cult).

Gente que fala: “Já vou lembrar o nome dele” e, de fato, lembra.

Quem curte ir ao cinema sozinho. Independência é chic.

Acho chic falar chic (francês, inglês…), mas acho ainda mais a nossa tradução sonora: chi-que.

Acho chique não querer ter carta de motorista.

Desistir da progressiva e assumir o cabelo enrolado.

Não tirar cutícula, só empurrar.

Unha vermelha curta.

Escapar ilesa da unha em gel, preenchimento labial e cílios postiços.

Não carregar na maquiagem no dia a dia. Cara lavada, mesmo mostrando algumas imperfeições, acho chique.

Atrasar um pouco já foi elegante. Ainda bem que hoje não é. Chegar no horário – não atrasar, nem chegar antes (socorro!) – deveria ser o básico, mas nem sempre é. Portanto, ser pontual ainda é chique.

Mandar uma cesta de chocolates para a amiga que terminou um namoro. Delicadeza é chique.

Fazer natação no mar (se for na praia de Copacabana é chiquíssimo).

Pessoas com a postura ereta (não confundir com postura empinada).

Mulher baixa de rasteirinha.

Mulher mais alta do que o homem, de salto alto (só não precisa exagerar, digo por experiência própria).

Não usar bolsa com logotipo (amo as coloridas com o nome gravado da ID Bags).

Gente que resolve qualquer mazela com chá e um cochilo: “Tomei um chazinho, descansei um pouquinho e passou.” Tipo: chá de gengibre para dor de garganta; chá de macela para indigestão; de carqueja para dor de cabeça; de camomila para insônia… Confesso: eu já começo com uma dipirona.

Aliás, chá por si só é chique. Se ainda por cima for da tarde, por infusão, inglês ou vindo das Índias, aí vira automaticamente família real.

Coque + brinco pequeno + óculos de grau. Chiquérrimo.

Aliás, acho chique ter um furo só em cada orelha.

Não ter tatuagem, ou seja, ter sobrevivido ao tribal dos anos 1990 e à borboleta colorida dos anos 2000.

Meninas que usam azul.

Meninos que vão a festas SEM camiseta de futebol.

Acho chique quem faz questão de falar o nosso nome quando nos encontra na rua. Lembrar já são outros quinhentos.

Viajar só com as amigas aos 40 anos.

Ir a um café sozinha tomar um cappuccino (frappuccino já é podre de chique).

Pessoas que demonstram suas inseguranças.

Torcer pelos outros genuinamente. Chique de alma.

Gente que, ao saber que alguém é bipolar, como eu, se informa antes de julgar.

Quem vai diminuindo o tamanho dos potinhos na geladeira, conforme os pratos vão sendo consumidos e as porções ficando menores (minha mãe).

Chique é ter mais de 90 anos e salvar receita no Instagram, ouvir a missa no celular e usar o ChatGPT. E ainda fazer pilates e quiche de roquefort. Ou seja, chiquérrima mesmo é a minha avó.