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Bia Garbato

O misterioso algoritmo: será que um dia vou entender o que se passa na cabeça dele?

Descobri que essa operação é mais sentimental que eu, mas peço apenas para que ele me conecte com pessoas de verdade

Bia Garbato

Até o início desse ano, eu usava o Instagram para mostrar meu filho tocando piano e alguma foto minha, em uma paisagem estonteante, para mostrar o quanto eu estava feliz, mesmo quando não estava. Ano passado, escrevi um livro e corri atrás de uma editora. O que mais ouvi foi: “Só publicamos escritores com expressão nas redes sociais”. Eu não era um deles. Até que uma editora de bom coração se dispôs a ler meu livro, mesmo com meus 1.500 seguidores. Felizmente, ela gostou e publicou. Mas, em seguida, me disse: “A principal divulgação do livro é no Instagram. Capricha”. Confesso que passei umas tantas sessões de terapia falando do medo de ter que alimentar esse monstro. Dividia minha aflição com alguns amigos que diziam: “Não tem jeito, você vai ter que produzir conteúdos relevantes para gerar engajamento.” Meu Deus, que pressão! Cheguei a ouvir também: “É isso, amiga, você tem que se tornar influencer”. Oi? Só se for má influencer.

Não teve jeito. Livro lançado, comecei a me dedicar às postagens. No começo foi difícil. Gastava meio período para fazer um post. Haja criatividade! Depois fui pegando jeito. Eu estava tão por fora, que, a primeira vez que me falaram para postar no carrossel, imediatamente, me veio à cabeça a música: “Embarque nesse carrossel…”. Eu não tinha a menor ideia do que era. Mas o que me balançou mesmo foi ser apresentada para o famigerado – e magnânimo – algoritmo. A princípio, pensei: “Se eu não entendi o que é algoritmo na escola, vou aprender agora?”. Não tive opção. Descobri que ele é mais temperamental do que eu. Mais imprevisível do que o tempo em São Paulo. Um verdadeiro sacana. Pois hoje, quando alcancei a marca de 6.000 seguidores – para mim, um sinal de que estou caminhando na direção certa – resolvi escrever uma cartinha para o todo poderoso “Sr. Algoritmo”. Vamos lá:

“Caro Algoritmo, por favor, me conecte com pessoas de verdade. Mais que seguidores, me traga amigos que ainda não conheço. Ao invés de contatos, me dê conexões. Por favor, convide pro meu perfil gente que tem alegrias e tristezas. Me apresente pessoas que dão mal jeito nas costas. Que mordem a pelinha do lado da unha e dá ruim. Pessoas que comemoram pequenas vitórias. Gente que ri e que chora. São bem-vindos experts no Insta ou quem não sabe o que é “link da bio”. Leve minhas palavras para quem estiver precisando delas. Entregue meus posts para que as pessoas não se sintam sozinhas. Me ajude a fazer diferença na vida delas. Isso fará muita diferença na minha vida. Em contrapartida, prometo não usar robozinhos para conseguir mais seguidores, já que, infelizmente, indianos ainda não entendem meu conteúdo.”

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