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Bruno Pinheiro

‘Essa é a chance de derrubar o Golias Davi Alcolumbre’, diz Girão ao defender sua candidatura à presidência do Senado

Parlamentar do Novo iniciou uma campanha pelo voto aberto na Casa, estratégia que ajudou o próprio Alcolumbre a vencer Renan Calheiros; eleição está marcada para o dia 1º de fevereiro

Bruno Pinheiro

Eduardo Girão no plenário do Senado
54212474667_7cacdb3f75_k Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) tem se apresentado como candidato à presidência do Senado, fazendo uma forte oposição ao nome de Davi Alcolumbre, que é apoiado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em conversa com o titular desta coluna, Girão defendeu sua candidatura como uma renovação na Casa Alta e iniciou uma campanha pelo voto aberto na eleição marcada para o dia 1º de fevereiro. “Davi Alcolumbre não dá mais. Com todo o respeito à pessoa dele, né? Não dá, ele já teve a chance dele e desperdiçou essa oportunidade. A expectativa que Davi gerou era de renovação. Era uma expectativa de mudança de paradigma, porque o próprio Renan Calheiros, que era o Golias da época, tinha que ser derrubado, e nós conseguimos. Todo mundo já conhecia o Davi, mas ele foi uma decepção”, disse Girão.

Eduardo Girão também relembrou quando Alcolumbre chegou à presidência do Senado, em 2019, com o voto aberto, uma estratégia implantada com apoio de Girão para derrubar Renan Calheiros (MDB-AL). “Você vê que ele pregou, no discurso da posse dele, que deveria acabar o segredismo na República, falando sobre o voto aberto, que foi o que o elegeu. Essa foi uma estratégia nossa; inclusive, eu fui de gabinete em gabinete pedir aos colegas senadores que assinassem o requerimento. Enfim, conseguimos ali a maioria, e ele traiu esse instrumento de transparência que o levou à eleição. Para você ver, daí você tira o naipe da coisa, né? E agora quer voltar ao continuísmo do Pacheco, que foi uma tragédia tão grande.”

Classificando a gestão do senador mineiro como uma tragédia, Eduardo Girão teme que o Congresso seja entregue novamente nas mãos de Alcolumbre. Essa não é a primeira vez que Alcolumbre disputa a mesa diretora do Senado. Na última eleição, Girão enfrentou o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reeleito. Agora, Girão vai enfrentar mais um nome do PL, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que não recebeu o apoio do próprio partido. Mas o parlamentar do Novo vê com bons olhos a atitude de Pontes, que já foi inclusive criticada por Jair Bolsonaro (PL).

“Então, nós precisamos mudar isso. O Senado precisa de altivez, precisa de independência; é necessário haver um reequilíbrio entre os poderes. Hoje, há um poder que esmaga os demais, principalmente o Legislativo, que é o Poder Judiciário, e só o Senado pode fazer análise de impeachment, mas se acovarda nisso. Portanto, temos que representar uma questão de coerência. Estamos trabalhando, e o Marcos Pontes é um ótimo candidato, também, que está tendo a coragem de se rebelar dentro do PL. Eu respeito a posição do PL, mas não concordo. E a sociedade, pelo menos, está sendo representada nesse clamor, dentro do partido, pelo Marcos Pontes”, disse Girão.

Em 2023, Girão se definiu como candidato independente. Consciente da dificuldade para vencer a disputa contra Alcolumbre, Girão conta com o apoio da sociedade. “Então, nós estamos com muita serenidade nisso, sabendo da dificuldade, mas tendo convicção de que, se houver um grande movimento da população, por isso que precisamos de líderes da sociedade, políticos, jornalistas, formadores de opinião, para pedir o voto aberto. Essa é a chance que temos de derrubar o Golias da vez, que é Davi Alcolumbre, e vamos fazer de tudo”, garantiu Girão.

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Se eleito, o que fará?

“Ter uma presidência do Senado nova, austera, que dê exemplo no corte de privilégios e de mordomias, né? Nessa crise absurda que o Lula provocou, essa crise fiscal que o Lula gerou pela sua irresponsabilidade. Que o Senado possa fazer a sua parte também, cortando quase R$ 7 bilhões de orçamento, né? Tirando tanta mordomia, como os R$ 250 mil que cada senador pode gastar no seu gabinete. Eu já economizo metade disso desde o início do mandato, abrindo mão de carro com motorista, de apartamento funcional, de plano de saúde vitalício, auxílio-moradia, tudo isso. E quero fazer no Senado também, ter esse cuidado, né? Cad cada senador tem direito a colocar pelo menos um projeto de lei no plenário. Eu me comprometo a fazer isso.”

Anistia 8 de Janeiro

“Então, que Deus nos guie e nos abençoe. A anistia dos presos de 8 de janeiro também é prioridade. Muita gente está sendo injustiçada no Brasil. E eu vou procurar fazer a minha parte para a pacificação. Está certo? Se a gente fala tanto em pacificação, mas não age pela pacificação, eu vou fazer isso mesmo e espero conseguir um bom resultado”, concluiu Girão.

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