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Bruno Pinheiro

Moraes suspende visitas a Bolsonaro por 30 dias e veta manifestos político-eleitorais

Nova decisão deixa autorizado pelas médicos, fisioterapeutas e advogados de terem contato com o ex-presidente; senador e pré-canditado segue proibido de ver o pai por 90 dias

Bruno Pinheiro e Sarah Américo

O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), durante cerimônia de entrega do título de cidadã paulistana à sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no Theatro Municipal
Moraes dá 48h para Bolsonaro explicar ida à embaixada da Hungria após apreensão de passaporte ALLISON SALES/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a versão apresentada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, de que o ex-mandatário não sabia que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, iria ler a carta na internet. Segundo o ministro, o próprio conteúdo do documento, dirigido ao público geral, demonstra a intenção de alcançar apoiadores e influenciar o processo eleitoral.

Com a decisão, Moraes suspendeu as visitas de Bolsonaro por 30 dias, exceto de visitas médicas, fisioterapêuticas e advogados. A decisão, entretanto, não se aplica a Flávio Bolsonaro, que cumpre 90 dias de proibição de visitar o pai. O ministro também impõe:

  • Proibição de visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições gerais de 2026;
  • Divulgação de manifesto político-eleitorial, inclusive por terceiros, independente do meio utilizado.

As novas imposições, entretanto, não interferem nas medidas cautelares vigentes.

“Ressalte-se que a estrita observância de todas as condições fixadas por lei e pelas decisões judiciais constitui pressuposto para a manutenção do regime de cumprimento atualmente deferido, de modo que eventual descumprimento poderá ensejar a imediata reavaliação do benefício concedido, com a adoção de medidas mais gravosas, inclusive a reversão da prisão domiciliar humanitária em regime fechado.”, diz a decisão.

Moraes também enfatiza que a leitura e divulgação da carta foi o primeiro descumprimento das medidas cautelares, porém, “cuja gravidade relativa afasta a necessidade de conversão do regimi domiciliar humanitário em retonro ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime fechado no sistema prisional”. Entretanto, foi grave o bastante para supensão das visitas.

O ministro também rebateu um posicionamento de Flávio, de que o pai ficaria incomunicável, dizendo que é “patética a alegação de que as restrições temporárias de visitar acarretariam a incomunicabilidade do custodiado”, diz a decisão.

Defesa de Bolsonaro

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) alegou que o ex-presidente não sabia que seu filho Flávio, pré-candidato à Presidência pelo PL, leria publicamente a carta que escreveu. “O Peticionário jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”, diz o documento.

A divulgação do conteúdo pelo senador foi classificada como uso indireto de redes sociais, o que viola as condições para a prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro.

Posicionamento PGR

A Procuradoria-Geral da República reconheceu nesta sexta-feira (17) que o ex-presidente Jair Bolsonaro usou o filho, o senador e Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, para transferir uma mensagem política e eleitoral. O posicionamento vem em resposta ao pedido de Alexandre de Moraes, que, na quarta-feira (15), tinha dado cinco dias para a PGR se manifestar sobre a carta escrita por Jair Bolsonaro e lida online por Flávio Bolsonaro.

Apesar de reconhecer que Flávio foi usado pelo pai, a PGR recomendou a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente.

“O parecer, portanto, é pela manutenção dos benefícios concedidos a título humanitário, com sugestão de que se explicitem providências asseguradoras de finalidade buscada com as condicionantes estabelecidas no ato de concessão do facor, como, eventualmente, veto a contatos pessoais aptos a veicular interferência eleitoral.”, diz a PGR.

Carta

O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro divulgou no sábado (11) uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o filho é o seu porta-voz.

O que ele está dizendo aqui na carta é muito simples. Eu quero agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam aí falas conflituosas ou direções diferentes. Que porventura alguém possa estar seguindo, além e em paralelo, a nossa pré-campanha.

No vídeo, Flávio diz que o pai escreveu que “O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”.

Decisão de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira (13) que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ficará impedido de visitar seu pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias.
A suspensão do direito de visitar Jair, que está em prisão domiciliar, seria motivada pela carta lida pelo senador no último sábado, divulgada em suas redes sociais.

O desrespeito de FLÁVIO NANTES BOLSONARO à medida cautelar imposta a JAIR MESSIAS BOLSONARO de “proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiro” está totalmente configurado por suas próprias afirmações.” Alexandre de Moraes.

O ministro também observou que a conduta de Flávio Bolsonaro pode configurar propaganda eleitoral antecipada e deve ser apurada pelo Ministério Público Eleitoral. Segundo Moraes, o vídeo continha expressões com carga semântica equivalente a um pedido explícito de voto, já que o texto se referia a Flávio como o “pré-candidato” de Bolsonaro e “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência, e do empobrecimento”.