PF achou celular de ex-policial ligado a Vorcaro escondido em freezer
A Polícia Federal encontrou um celular de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como líder do grupo conhecido como “A Turma”, escondido dentro de um freezer e atrás de carnes congeladas durante busca realizada em sua residência em Belo Horizonte. A informação consta de relatório da terceira fase da Operação Compliance Zero obtido pela Jovem Pan.
A diligência ocorreu em 4 de março, no apartamento de Roseno, no bairro Floresta. Segundo o relatório, a equipe chegou ao endereço às 6h e entrou no imóvel por volta das 6h08, após informar à família que cumpria medidas cautelares da Polícia Federal.
Durante as buscas, os agentes perguntaram diversas vezes pelo celular de Roseno. O documento afirma que o investigado “se furtou a informar especificamente onde se encontrava o aparelho”. Os policiais então iniciaram uma busca nos quartos do casal e da filha.
Nesse momento, Roseno pediu que a equipe o acompanhasse até a área de serviço. Ele retirou de dentro de um freezer vertical um iPhone 17 Pro Max azul-escuro, que estava ocultado atrás de carnes congeladas.
Além do celular, a PF apreendeu no imóvel duas pistolas, uma Glock G26 e uma Taurus PT640, munições de diferentes calibres, documentos, um bloco de anotações e outros materiais.
A PF identifica Roseno como o líder de “A Turma”, grupo que, segundo a investigação, reunia seis integrantes aparentemente ligados à Polícia Federal e realizava ações de interesse de Daniel Vorcaro. A identificação do ex-policial foi feita a partir de conversas entre o banqueiro e Felipe Mourão e de dados obtidos pelos investigadores.
A atuação de Roseno e os pagamentos atribuídos ao grupo já haviam sido revelados anteriormente. O elemento novo nos documentos agora analisados é o relato detalhado da busca de março e a descoberta do celular escondido no freezer.
Sigilo do caso Master
Os documentos vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, mandou retirar o sigilo das investigações do Banco Master e dos processos ligados ao caso. Fachin também determinou que o material fosse enviado aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro.
André Mendonça, relator das investigações, atendeu ao despacho e liberou os documentos. O ministro também determinou o envio de uma cópia integral do material à Presidência do STF e aos demais integrantes da Corte.
A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da Polícia Federal citarem contatos de Daniel Vorcaro com integrantes da Corte, entre eles Alexandre de Moraes.
Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos. Fachin depois suspendeu as duas decisões, concentrou na Presidência do STF a análise dos processos relacionados ao caso e convocou os 11 ministros para discutir a investigação no plenário no dia 15.
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Bruno Pinheiro
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