PGR usa caso de traficante e político preso para defender prisão domiciliar de Bolsonaro
Ao assinar nesta segunda-feira, 23, parecer favorável à prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro, o Procurador-Geral da República Paulo Gonet Branco foi ao arquivo do próprio Supremo Tribunal Federal buscar os argumentos. Escolheu dois precedentes que, juntos, antecipam e bloqueiam as principais objeções que o relator Alexandre de Moraes poderia opor ao pedido.
O primeiro é o HC 153.961, de 2018. A 2ª Turma do STF converteu em domiciliar a prisão do então deputado Jorge Picciani, operado de câncer de bexiga e com risco de infecções no cárcere. O laudo médico concluía pela necessidade de vigilância constante — o mesmo argumento que a equipe do Hospital DF Star apresentou após internar Bolsonaro de emergência, em 13 de março, com broncopneumonia aspirativa e injúria renal aguda.
O segundo precedente é mais incômodo. O HC 94.358 envolvia uma mulher condenada por tráfico de drogas, em regime fechado, com patologia cardíaca grave e risco de morte. O STF concedeu a domiciliar. O relator foi Celso de Mello. E foi o próprio Ministério Público Federal que, naquele processo, argumentou pela inadequação da assistência médica prisional — exatamente a tese que Gonet sustenta hoje para Bolsonaro.
Ao invocar os dois casos, a PGR colocou Moraes em posição delicada. Para negar o pedido, o relator precisará demonstrar que o caso Bolsonaro é juridicamente distinto de uma traficante e de um político — com laudo hospitalar, PGR e jurisprudência consolidada da própria Corte apontando na direção contrária.
O parecer é explícito ao pedir reavaliações periódicas e manutenção dos mecanismos de segurança. A mensagem da PGR é direta: não se trata de suspender a condenação por golpe de Estado. Trata-se, segundo Gonet, de aplicar a mesma Constituição que o STF já aplicou para todos os outros.
Assuntos
continue lendo
Política
Nunes Marques diz que discutirá soltura de Bolsonaro após o 2º turno e no plenário
Caso ainda está pendente do parecer da PGR; a data desse julgamento, se for a plenário presencial, depende do presidente do STF
- Ministério da Justiça pede à PF investigação de ameaças contra deputada eleita Ana Elisa Bruno Pinheiro · há 17 horas
- Moraes nega devolução de R$ 100 mil pagos como fiança por Daniel Silveira Bruno Pinheiro · há 22 horas
- Mendonça nega direito de resposta a Flávio por propaganda de Lula sobre bolsa família Bruno Pinheiro · há 2 dias
- Senado pede a Fux que barre acesso a visitas de Vorcaro, Lulinha e mulher de Moraes Bruno Pinheiro · há 2 dias