PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro após falas sobre urnas eletrônicas
O presidente do PT, Edinho Silva, protocolou nesta quarta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma representação contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após falas do senador em um trecho de seu discurso na terça-feira (21) em que o parlamentar mencionou informações falsas sobre a origem das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras.
A representação do PT, e outros partidos de esquerda, diz que a fala de Flávio interfere na integridade das urnas. “Movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral”, escreveu.
O documento ainda deixa claro que o senador sabia sobre o que estava falando. “Vale dizer: o Representado Flávio Bolsonaro não desconhecia — e nem poderia desconhecer — a inveracidade da associação por ele propalada, sem qualquer amparo em elemento minimamente idôneo, perante autoridades estrangeiras”.
Além de Flávio, o documento também cita ações do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC).
Discurso de Flávio
Na noite de terça, o senador repetiu ação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em evento com diplomatas, em Brasília. Durante sua fala, o parlamentar divulgou dado falso sobre urna eletrônica.
Flávio discursou a diplomatas durante o evento “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com The Brazilian Report. O senador citou a recente divulgação de documentos da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, pelo governo norte-americano. Os relatórios de inteligência indicaram uma suposta capacidade de manipulação dos sistemas eletrônicos de votação na Venezuela.
Aos diplomatas, Flávio afirmou que a programação das urnas eletrônicas utilizadas na Venezuela teria sido modificada para que os votos do pleito de 2012 fossem alterados. A empresa Smartmatic fornece os equipamentos para a eleição no país sul-americano.
“Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador. Entretanto, a companhia não fornece equipamentos para o pleito realizado no Brasil.
Em nota, Flávio sustenta que sua manifestação foi interpretada de forma equivocada e afirma que “não está questionando o sistema de votação brasileiro”. O texto também diz que o senador apenas fez referência a dois episódios públicos: a reunião entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e embaixadores que resultou na inelegibilidade do ex-chefe do Executivo e um relatório recentemente divulgado pela CIA sobre supostas fraudes nas eleições da Venezuela.