Farmácias têm quase dois roubos e furtos por dia em SP; canetas emagrecedoras viram alvo
Farmácias e drogarias da capital paulista registraram 414 roubos e furtos entre janeiro e julho deste ano, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O número representa uma média de 1,95 ocorrência por dia, ou praticamente dois ataques diariamente.
Os registros incluem 192 casos de furto e 222 de roubo. Somente em julho foram 63 ocorrências. Janeiro teve o maior número do período, com 68 casos.
O cenário chama atenção também por causa da procura de criminosos por medicamentos de alto valor, entre eles as chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas no tratamento da obesidade e de outras condições de saúde.
Depois de furtados ou roubados, esses produtos podem entrar em um mercado clandestino e ser revendidos em diferentes pontos da cidade. A comercialização também pode ocorrer por meio de anúncios em redes sociais e plataformas na internet, muitas vezes sem qualquer garantia sobre a origem ou as condições de armazenamento da medicação.
A preocupação não é apenas com o prejuízo causado às farmácias. As canetas que necessitam de condições específicas de conservação, especialmente controle de temperatura, podem perder a qualidade quando são transportadas ou armazenadas de maneira inadequada.
Quem compra um produto de origem desconhecida, portanto, pode não saber se a medicação foi mantida nas condições recomendadas, se sofreu alterações durante o transporte ou sequer se o conteúdo corresponde ao medicamento indicado na embalagem.
Os números mostram ainda que o problema está espalhado pela capital. A Zona Leste concentrou 113 ocorrências, o equivalente a cerca de 27% do total. Na sequência aparecem a Zona Sul, com 105 casos, e a Zona Oeste, com 86.
No estado de São Paulo, foram 1.434 roubos e furtos em farmácias e drogarias no mesmo período. A capital responde por aproximadamente 29% de todas as ocorrências registradas no estado.
Além do prejuízo financeiro para os estabelecimentos, os crimes alimentam um mercado paralelo de medicamentos e podem transformar vítimas de roubos e furtos em potenciais consumidores de produtos sem procedência e sem garantia de conservação adequada.
Apesar da sequência de assaltos, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os roubos a farmácias na capital caíram 6,4% entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. No estado, a redução foi de 19,9%. Segundo a pasta, 157 pessoas foram detidas por roubos e furtos a esses estabelecimentos nos primeiros sete meses do ano: 108 adultos e 49 adolescentes.
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