Julgamento que pode expulsar tenente-coronel da PM por suspeita de feminicídio é adiado em São Paulo
O Conselho de Justificação que analisa a possibilidade de expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, da Polícia Militar de São Paulo foi adiado. A sessão estava prevista para a manhã desta segunda-feira (14), na capital paulista, mas não ocorreu.
O procedimento administrativo pode resultar na perda da patente e na exclusão do oficial da corporação. O tenente-coronel é investigado por suspeita de envolvimento no feminicídio de Gisele Alves Santana.
A defesa do policial é feita pelo advogado Eugenio Malavasi. Procurado pela reportagem, ele afirmou que o motivo do adiamento ainda não foi informado.
Conselho foi formado em março
Os oficiais responsáveis por avaliar a conduta do tenente-coronel foram indicados pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
A composição do Conselho de Justificação foi publicada no Diário Oficial do Estado em 31 de março. Integram o grupo os coronéis Adalberto Gil Lima Mendonça, Carlos Alexandre Marques e Marisa de Oliveira.
O colegiado deverá analisar as circunstâncias do caso e a permanência do oficial na Polícia Militar. Ao final do procedimento, poderá ser proposta a perda da patente e a exclusão da corporação, conforme as regras aplicáveis ao processo.
Quatro policiais já prestaram depoimento
A primeira etapa do processo administrativo ocorreu em maio, quando quatro policiais foram ouvidos. Entre as testemunhas estavam três PMs que eram amigas de Gisele Alves Santana.
Os depoimentos fazem parte do conjunto de informações que será avaliado pelos integrantes do Conselho de Justificação.
Relembre o caso Gisele Alves Santana
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio. Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que a mulher havia tirado a própria vida após uma discussão entre os dois.
Durante a investigação, porém, a Polícia Civil passou a tratar a morte como suspeita de feminicídio. Exames periciais apontaram lesões no pescoço da vítima, e os investigadores também identificaram outros elementos que passaram a ser analisados como possíveis indícios de crime.
Em março, Geraldo foi indiciado por feminicídio e fraude processual. A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia do Ministério Público, e o tenente-coronel tornou-se réu.
A defesa nega que ele tenha matado Gisele e contesta as conclusões da investigação. O caso criminal segue em tramitação, independentemente do processo administrativo que pode resultar na perda da patente do oficial.
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