Após discurso de Lula, possíveis candidatos do Centrão para 2022 foram pulverizados
Lula entrou no grupo de candidatos. O atual administrador, Jair Bolsonaro, sentiu a pressão, mas aceita e o jogo é reiniciado. O debate mudou de linha, saem palavras gastas como homofóbico, ditador, fascista e misógino. A linha agora da discussão política é vacina, trabalho, pão com manteiga e picanha. O ex-presidente sabe o que está falando, conhece o discurso popular e domina as técnicas de persuasão. O presidente Jair Bolsonaro também é do ramo. Fala diretamente ao eleitor, conhece a realidade e é bom de briga. Esta polarização abriu o debate para as eleições de 2022, não falta mais nada. A primeira consequência desta nova situação é que os possíveis candidatos do centro foram pulverizados. Visivelmente reduzido em movimentos, o momento aponta para uma repetição das últimas eleições nas quais este discurso de centro, dos “muralistas”, obteve um pouco mais do que 10% dos votos. A realidade leva grupos que estavam flutuando à volta aos antigos postos. Isto facilita as conversas de bolsonaristas com integrantes do PSL. Reassenta grupos que estavam estudando a possibilidade de novas aventuras em partidos de centro na chamada “grande avenida central” e aponta para a pergunta que incomoda: “De que lado você está?”.
O Centro não aprendeu com a grande lição das urnas. É a maioria, mas não se une e os egos não cabem no mesmo ambiente, mesmo que seja uma praça aberta do tamanho do Brasil. São pessoas que falam uma língua especial, técnica e engomada, que passam artificialidade, e longe das ruas e praças onde estão falando de ladrões de dinheiro público contra ditadores e pulso firme nas decisões. Este é o debate que o eleitor entende e não adianta dizer que a política é mais profunda. A aproximação dos políticos com a massa é agora um sinal de sobrevivência. Acabou o tempo do político do tapinha nas costas que perguntava “como vai seu pai”, sem saber quem era e nem se era vivo, uma piada antiga. É preciso ter postura e posição. O meu pai, vereador experiente lá em Minas, em Medina, dizia que “o pior lugar para um político é aquele em que o eleitor não sabe de que lado ele está”.
[jp-related-posts ids=”1060966,1060765,1060400″]
Lula tem o direito de fazer o discurso. O presidente Jair Bolsonaro está repleto de razão em apontar os erros e mentiras da plataforma falsa do candidato. Com a palavra agora a opinião pública. De um lado quem já mostrou a sua face de negociar tudo que significa dinheiro público. Mensalão e Petrolão são as grandes obras inconclusas dos governos do PT, o último interrompido por pura desintegração por estar podre. Inconclusas, já que o Supremo não prendeu o chefe no mensalão e o ministro Edson Fachin resetou os processos e condenações de Lula com viés de implosão dos resultados da maior investigação da história, dos poderosos que dominam o país. Do outro lado está o presidente que enfrenta uma crise sem precedentes na saúde, que atinge diretamente o coração da economia. O governo que mudou a cara e fugiu dos domínios políticos para se transformar em massa de manobra para alimentar partidos tradicionais. A inércia na política é uma força muito grande e esta barreira está sendo enfrentada pelo governo. A política anda e não há regras que possam transformar capetas em anjos, nem no mundo esquisito da política.
Assuntos
continue lendo
Política
Direita fala em ‘pizza’ após Dino pedir vista em sessão do STF sobre Moraes
O placar na Corte está 4 a 3 contra a ordem que propôs julgamento conjunto do ministro com Mendonça
- Para acomodar Centrão, Lula muda a cara do governo e pode tirar até ministério de Alckmin José Maria Trindade · há 3 anos
- Após indicação de sua cota pessoal, Lula parte para a negociação de outros cargos com partidos políticos José Maria Trindade · há 4 anos
- Documento da Defesa sobre as urnas reafirma segurança, mas reforça pedido de credibilidade ao processo José Maria Trindade · há 4 anos
- A tentativa do STF de isolar Bolsonaro José Maria Trindade · há 4 anos