Eleição 2026: quando o cansaço de ouvir falar encontra o medo de ficar por fora do assunto mais falado
Você já percebeu que muita gente diz não aguentar mais ouvir falar de política, mas continua atualizando o celular para descobrir o que aconteceu nas últimas horas?
No domino (04), os brasileiro foram as urnas para votar no primeiro turno das eleições. Depois de meses de campanha, questionamentos sobre decisões judiciais, dúvidas sobre a confiança nas instituições e uma sequência de capítulos que ganhou outro ritmo desde os primeiros “Bom dia ☀❤☀ ” encontrados nas mensagens de Daniel Vorcaro, seria razoável imaginar que já estivéssemos prontos para dar boa noite à política.
Mesmo saturados de vídeos com cortes, acusações, respostas e respostas às respostas, parece impossível perder o último viral com fundo preto ou o novo meme dos “Intocáveis”.
O mais comum é entrar no elevador e sentir que ele travou entre dois andares quando alguém solta: “você viu que mais um pegou o Uber Black dos céus no jatinho do Vorcaro?”. A essa altura, resta responder: só eu que não recebi um Pix.
Estudos recentes ajudam a explicar essa contradição. O excesso de notícias aumenta a vontade de se afastar, desligar o celular e simplesmente parar de acompanhar. Só que esse alívio dura pouco. Quase imediatamente aparece outro gatilho: se eu não sei o que aconteceu, estou mal informado, por fora da conversa e correndo o risco de me sentir sozinho.
Essa sensação tem um nome: FOMO, fear of missing out que representa o receio de ficar por fora e ter a sensação de estar excluído. Você acompanha porque não quer perder nada, se cansa porque acompanhou demais e, quando tenta se afastar, o medo de ficar por fora puxa você de volta.
Uma pesquisa publicada em 2025 na Psychiatry Research, sobre a eleição presidencial americana, encontrou associação entre o estresse provocado pelo noticiário eleitoral e sintomas mais intensos de ansiedade e depressão. Outro experimento, realizado durante um debate presidencial argentino, avaliou o conteúdo político visto nas postagens do Twitter. Não há dúvidas que o estresse é maior ao reagir aos comentários quase como quem defende a própria vida.
Estamos cansados de estar por dentro, mas não suportamos a sensação de ficar por fora.
Quando até Nossa Senhora Aparecida vira personagem de uma disputa com envolvimento da Justiça Eleitoral, parece que alguém acendeu vela para o anjo que caiu. Espero que, na oração do almoço de domingo, todo mundo consiga pelo menos chegar à sobremesa em paz. Há até quem diga que lavar louça é terapêutico, mas espero que não seja só uma desculpa para fugir do debate na mesa.
Nem pense em se alienar da família assistindo stories no celular. Vai surgir um vídeo daquele que você nem suporta ouvir a voz. O seu humor muda, você sente raiva, desesperança e até um gosto amargo comendo um morango cravejado. Quando há um pico de estresse você deixa de sentir o prazer do que está comendo. Será que vale a pena só querer ir “contra ele”? Se pergunte sobre o outro candidato: qual projeto essa pessoa defende que torna a sua vida “menos pior”? Parece negativo dizer isso mas aqui somos realistas: ninguém vai resolver tudo o que você gostaria. Eleição não precisa ser um concurso de afinidade.
Quem já me conhece sabe que meu cenário é repleto de plantas, de várias espécies, inclusive por uma certa sensação de proteção energética. Não há nenhuma teoria que comprove cientificamente o que sinto, mas ainda tenho liberdade para expressar no que acredito.
Por via das dúvidas, entre uma sessão de terapia e outra, decidi comprar mais duas plantinhas.
Se a energia melhora, que venham os bons tempos. E que a gente volte a acreditar em uma frase simples, mas que anda fazendo falta:
“amanhã há de ser melhor
Assuntos
continue lendo
Política
Defesa de Garotinho retira recurso do TSE e abre caminho para Ruas vencer no 1º turno
Candidato ficou em terceiro lugar na votação pelo governo fluminense, atrás de Douglas Ruas e Eduardo Paes
- Sunday Scaries: quando a comédia de domingo ganha trailer de terror Larissa Fonseca · há 1 mês
- O corpo deita mas a mente abre o expediente Larissa Fonseca · há 2 meses
- Quando a última gota transborda Larissa Fonseca · há 2 meses
- O sucesso no trabalho virou uma ofensa pessoal Larissa Fonseca · há 3 meses